Resenha: O Livro das Mulheres Extraordinárias – Xico Sá

/Resenhas/

Editora: Três Estrelas
Autor: Xico Sá
ISBN: 9788565339315
Edição: 1
Número de páginas: 264
Acabamento: Brochura
Compre: Amazon
Classificação EDS:  100 de 100 pontos

Mais de cem mulheres brasileiras – do teatro e da música, da literatura e da TV, do cinema e da moda atuais – encontram-se reunidas neste livro, por obra e graça de Xico Sá. A cada uma delas, o escritor e jornalista dedica um elogio sem pudor, uma declaração pública de amor eterno, uma crônica inédita de pura ‘devoção escancarada’. As beldades desfilam sem parar entre as palavras apaixonadas e fogosas do cronista – Luiza Brunet, Camila Pitanga, Gisele Bündchen, Sabrina Sato, Isis Valverde, Marisa Monte, Thais Araújo, Fernanda Lima, Juliana Paes, Débora Falabella, Claudia Abreu, Lídia Brondi, Leandra Leal, Cleo Pires, Vera Fischer… São amores pop que, escreve Xico Sá, ele divide com as massas. São as guias do erotismo e do afeto no país. São nossas artistas poderosas e nossos seres mitológicos. São a expressão das grandezas do Brasil e da brasilidade. Negras, morenas, loiras, mulatas, altas, baixas, selvagens, ternas, gostosas, intelectuais, tímidas, loucas, clássicas, vanguardistas, jovens e eternas – são todas elas guardiãs de paraísos extraordinários.

Minhas Impressões

O Livro das Mulheres Extraordinárias é uma verdadeira ode às mulheres, sejam as 127 descritas na obra ou as anônimas que fazem sua leitura, são declarações de amor na maioria das vezes platônico, mas curiosamente sincero. Nada diferente se pode esperar de Xico Sá, autor sempre enamorado e que, além de um apaixonado por futebol, é um fã declarado das mais diferentes nuances femininas.

A inspiração para a ideia veio do escritor italiano Alberto Moravia que, segundo ele, sabia ver e entender as mulheres como quase nenhum outro no mundo. Cada homenageada é dona de um capítulo e o formato das declarações são os mais diversos em que elas recebem reverências e referências à sua beleza, postura, força, delicadeza, fragilidade, garra, sensualidade, brilho, formosura e o quanto esses e tantos outros elementos, juntos e separados, tornando-as únicas e com sinônimo de beleza absolutamente ímpar e singular.

O elogio amoroso é repleto de gracejos, desejos, admiração, reconhecimento das qualidades e virtudes que mostram as mulheres escolhidas ainda mais extraordinárias. O autor pede licença poética descarada aos diversos nomes da música e literatura, entre eles estão Vinicius de Moraes, Balzac, João de Minas, Domingos de Oliveira, Fausto Fawcett, Santo Agostinho, Caetano Veloso e Gilberto Freyre.

Este é um livro do cronista, do flâneur e do voyeur. De um cara que se devota às fêmeas em ruas e alamedas, sempre em busca de algum detalhe de observação, afinal de contas, mulher é metonímia, parte pelo todo – não carecemos amá-las por inteiro, muitas vezes basta uma covinha solitária do lado esquerdo, um nariz grande…

Para além do imaginário e da erotização encontrados nas várias citações “calientes” e lembretes dos ensaios sensuais nas revistas masculinas, minha leitura foi a de um escritor com devoção interessante e de um real reconhecimento do quão especial, simples e complexa é a mulher e que cada uma tem um potencial apaixonante a ser descoberto.

Xico Sá sinaliza a esperança que o livro seja o primeiro de muitos e nós, leitoras extraordinárias anônimas, também!

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Resenha: O clube do livro do fim da vida – Will Schwalbe

/Editora Objetiva/Resenhas/

Editora: Editora Objetiva
Autor: Will Schwalbe
ISBN: 9788539004997
Edição: 1
Número de páginas: 296
Acabamento: Brochura
Compre: Amazon
Classificação EDS:  100 de 100 pontos

“O que você está lendo?” Esta é a pergunta que Will Schwalbe faz para a mãe, Mary Anne, na sala de espera do instituto do câncer Memorial Sloan-Kettering. Toda semana, durante dois anos, Will acompanha a mãe às sessões de quimioterapia. Nesses encontros, conversam um pouco sobre tudo: a vida e os livros que estão lendo. Will e Mary Anne terão conversas tanto abrangentes quanto extremamente pessoais, estimuladas por um conjunto eclético de livros e uma paixão compartilhada pela leitura. A lista vai do clássico ao popular, da poesia ao mistério, do fantástico ao espiritual. Eles compartilham suas esperanças e preocupações — e redescobrem suas vidas — através dos livros prediletos. Mãe e filho se redescobrem, falam de fé e coragem, de família e gratidão, além de serem constantemente lembrados do poder que os livros têm de reconfortar, surpreender, ensinar e dizer o que é necessário fazer com a vida e com o mundo. Uma alegre e bem-humorada celebração da vida, ‘O clube do livro do fim da vida’ é uma história comovente e uma lembrança de que a leitura também é um ato de liberdade diante da dor e do medo da morte. Como aponta o autor, “ler não é o oposto de fazer, é o oposto de morrer”.

Minhas impressões

A primeira parte do título foi um chamado, gosto da ideia romântica dos clubes de leitura famosos de outrora enquanto que a segunda parte me pareceu um tanto deprimente, mas o que me prendeu foi a orelha repetindo a pergunta mágica que faço a tod@s que conheço e que sabidamente apaixonados pela leitura: “O que você está lendo?”

Will Schwalbe faz uma bela homenagem contando os dois últimos anos da vida de sua mãe partindo do que os dois silenciosamente estabeleceram como um Clube da Leitura. As obras são referências para um estreitamento de laços e discussões do que foi dito e silenciado, sutilezas sobre diferentes pontos de vistas, abordagens religiosas, personagens que
enfrentaram seus medos e as mais diversas possibilidades de pensar a vida a partir da Literatura.

A biografia de Mary Anne Schwalbe é a de uma mulher forte, guerreira, batalhadora, generosa e de uma energia e disposição, mesmo nos momentos mais agressivos do câncer, ímpar. Foi educadora, diretora de admissões de Harvard e Radicliffe, viajou o mundo em ações voluntárias diversas, fundadora da Comissão Feminina de Refugiados e durante a doença continuou trabalhando arduamente para a implantação de uma biblioteca nômade no Afeganistão.

Em momento algum existe uma comiseração piegas, o que ela lamenta é não ter tempo e saúde para fazer mais e sua força fica evidente na ação matriarcal que permite a continuidade da rotina, planos e projetos da família. Os encontros do clube acontecem ao longo do intervalo de tempo em que são realizados os procedimentos de acompanhamento da paciente de 73 anos diagnosticada com câncer de pâncreas em estágio avançado.

Inicialmente considerei que fosse algo maior e não apenas um clube com dois integrantes, mas pensar que a Literatura pode subverter os momentos infindáveis de um processo quimioterápico, trazendo qualidade ainda maior ao vínculo afetivo de mãe e filho permitiu a continuidade da minha leitura.

Sempre que estávamos juntos e ela chegava a um trecho de um livro de que gostava, não lia para mim – me entregava o livro inteiro, com o dedo indicando uma linha e instruções de onde eu devia começar e onde parar. Como sempre, ela só levantou o dedo quando tinha certeza de que meus olhos haviam encontrado a parte certa. Era como passar um bastão numa corrida de revezamento.

A edição apresenta um apêndice com todas as obras, fragmentos, poemas e histórias citadas no livro. São referências da Literatura Universal e, em especial, da Americana que podem inspirar os leitores nos caminhos percorridos pelo clube.

A narrativa, apesar de bela, é um pouco cansativa e arrastada e todo o fascínio e emoção ficaram no tocante ao encantamento pela personalidade de Mary Anne e no poder salvador da Literatura.

Há tanto para ler… e viver!

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Resenha: O menino da mala – Lene Kaaberbol & Agnete Friis

/Editora Arqueiro/Resenhas/

Editora: Arqueiro
Autor: Lene Kaaberbol & Agnete Friis
ISBN: 9788580411836
Edição: 1
Número de páginas: 256
Acabamento: Brochura
Compre: Amazon
Classificação EDS:  100 de 100 pontos

“Você adora salvar as pessoas, não é? Bem, aqui está a sua chance.”
Mesmo sem entender o que sua amiga Karin quer dizer com isso, Nina atende seu pedido e vai até a estação ferroviária de Copenhague buscar uma mala no guarda-volumes. Dentro, encontra um menino de 3 anos nu e dopado, mas vivo.
Chocada, Nina mal tem tempo de pensar no que fazer, pois um brutamontes furioso aparece atrás do garoto.

Minhas impressões

Estava na Bienal de São Paulo com duas amigas minhas quando vimos esse livro e lemos na capa o seguinte: “O que você faria se encontrasse dentro de uma mala um menino de 3 anos, nu e dopado, mas vivo?” Os três se arrepiaram e obviamente eu precisava comprar esse livro. Voltei pra casa lendo-o.

A trama do livro no início parece bem confusa, porém ela foi bem escrita. As autoras inseriram simultaneamente vários personagens e vão alternando entre eles, tornando a história bem dinâmica.

O fato de se passar em lugares pouco vistos em livros como a Dinamarca e a Lituânia, traz mais um ponto positivo para as autoras. O romance policial no final das contas acaba parecendo uma história verídica. É possível perceber a diferença na personalidade de cada personagem, o que deve ter sido bem complicado de escrever. Creio que o fato de uma delas ser jornalista tenha agregado muito ao livro.

Algo que gosto muito num livro, como já comentei em outras resenhas, é quando o mesmo me surpreende. Em certo ponto do livro eu achei que já tinha desvendado toda a trama, até que algo novo foi adicionado e a história ganhou um pouco mais de suspense.

Enfim, no final o que parecia bagunçado, se junta e você vê a sinergia entre os personagens e vê que as autoras foram bem sucedidas. Pra quem curte um romance policial, com um toque (grande) de suspense, recomendo. O livro foi um excelente achado e entrou pra lista de favoritos na minha estante =]

Até a próxima 😉

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Resenha: A volta ao mundo em 80 dias – Júlio Verne

/Editora Moderna/Resenhas/

Editora: Moderna Editora
Autor: Júlio Verne
ISBN: 9788516079789
Edição: 1
Número de páginas: 335
Acabamento: Brochura
Compre: Amazon
Classificação EDS:  100 de 100 pontos

Phileas Fogg, um inglês pacato, calmo, metódico e solitário, cumpria todos os dias a mesma rotina. Misterioso, nunca compartilhava sua intimidade com ninguém. Mas tudo mudou quando apostou com alguns sócios do clube metade de sua fortuna, afirmando que daria a volta ao mundo em 80 dias! Era o ano de 1872, e ele e seu novo criado, Passepartout, embarcaram em uma aventura que nenhum dos dois imaginava como seria o seu fim! Adaptação de Walcyr Carrasco.

Minhas impressões

Gosto de ler os clássicos porque, de certa forma, sempre achamos que já conhecemos a história, pois a reconhecemos em romances e outras tantas referências na TV, cinema, teatro, peças publicitárias e cenas do cotidiano. Essa pretensão “vai por terra” quando, de fato, mergulhamos na obra.

Em meu imaginário a Volta ao Mundo em 80 dias era, talvez seja, muito parecida com As Aventuras de Tintim de Hergé e já velha conhecida do meu repertório leitor. Qual não foi a minha surpresa, ao ser interpelada sobre a possibilidade de uma colega de trabalho desenvolver atividade com a obra e, de imediato, não ter aquela certeza do enredo. Pedi um tempo para pesquisa e fui buscar Júlio Verne.

Mergulhei na aventura do até então pacato Phileas Fogg e de seu novo criado e já fiel escudeiro Passepartout, numa busca frenética para garantir uma viagem em torno da Terra em 80 dias e ganhar uma aposta com o pessoal do clube.
São trilhados diversos caminhos, culturas, possibilidades, mudanças climáticas e superados desafios que, para muitos, pareceriam intransponíveis.

O efeito causado pelo telegrama não poderia ser mais rápido. A imagem do respeitável cavalheiro cedeu lugar à do ladrão de banco. Sua fotografia, retirada do arquivo do Reform Club, foi examinada detalhadamente. Seus traços pareiam idênticos aos do homem descrito no inquérito. Todos se lembraram da vida misteriosa de Fogg, do seu isolamento e da subida partida. Parecia obvio que a viagem de volta ao mundo, com o pretexto de uma aposta insensata, tratava-se de um plano para despistar a polícia inglesa.

O melhor é o frenesi pela garantia do prazo, não pela aposta em si, mas pela honra de fazer o que tem que ser feito, cumprir o cronograma e tudo bem em salvar algumas almas e se apaixonar perdidamente pelo caminho!
Impossível não fazer a transposição para nossos dias e pensar no avanço tecnológico e na possibilidade de ir ainda mais longe e a mais lugares com 80 dias no calendário e algum trocado no bolso.

Os elementos de um clássico, como diria Ítalo Calvino, estão todos presentes, desde a familiaridade com tudo que está aparecendo no texto, o original, inesperado, inesgotável até a identificação com o herói.

Walcyr Carrasco simplesmente arrasa na tradução e adaptação garantindo leveza, condução do leitor e apelo para que guardemos as proporções tempo e espaço histórico, como quando exemplifica a população da Índia de 1872 e a atual.

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Resenha: Dois Irmãos – Milton Hatoum

/Editora Companhia das Letras/Resenhas/

dois-irmãos-estante-dos-sonhosEditora: Companhia das Letras
Autor: Milton Hatoum
ISBN: 9788535908336
Edição: 1
Número de páginas: 200
Acabamento: Brochura
Compre: Amazon
Classificação EDS:  100 de 100 pontos

Onze anos depois da publicação de Relato de um certo Oriente, Milton Hatoum retoma os temas do drama familiar e da casa que se desfaz. Dois irmãos é a história de como se constroem as relações de identidade e diferença numa família em crise. O enredo desta vez tem como centro a história de dois irmãos gêmeos – Yaqub e Omar – e suas relações com a mãe, o pai e a irmã. Moram na mesma casa Domingas, empregada da família, e seu filho. Esse menino – o filho da empregada – narra, trinta anos depois, os dramas que testemunhou calado.
Buscando a identidade de seu pai entre os homens da casa, ele tenta reconstruir os cacos do passado, ora como testemunha, ora como quem ouviu e guardou, mudo, as histórias dos outros. Do seu canto, ele vê personagens que se entregam ao incesto, à vingança, à paixão desmesurada. O lugar da família se estende ao espaço de Manaus, o porto à margem do rio Negro: a cidade e o rio, metáforas das ruínas e da passagem do tempo, acompanham o andamento do drama familiar. Prêmio Jabuti 2001 de Melhor Romance.

Minhas impressões

Há tempos não lia uma obra que me prendesse tanto! O curioso é que Dois irmãos esteve comigo há uns três anos, rolou na pilha de “livros pra ler”, indicado por uma amiga que sabia exatamente minha sensibilidade e preferências e que, pior para justificar minha não leitura, costumava seguir minhas indicações de livros e filmes.

O fato é que acabei, não sem certo constrangimento, devolvendo-o depois de achar estranho o início que narra a história da matriarca da família no leito de morte questionando sobre a reconciliação dos filhos… Um enredo que misturava o Líbano, a Manaus do pós-guerra e algo que me pareceu, até certo ponto continuo com a impressão, uma relação incestuosa.

Não, fôlego ele não tinha para acompanhar o irmão. Nem coragem. Sentia raiva, de si próprio e do outro, quando via o braço do Caçula enroscado no pescoço de um curumins.

Retomei o contato com a obra a partir da notícia de que dois artistas, outros irmãos, Gabriel Bá e Fábio Moon estavam adaptando-a para a arte da graphic novel. Como acompanho a carreira dos quadrinistas, adquiri o livro original para poder “avaliar” o trabalho dos irmãos.

Por duas noites fui completamente fisgada pela trama e trajetória da família de origem libanesa que, iniciada numa história de amor entre Zana e Halime e completa pela cunhatã Domingas criada como empregada, os filhos gêmeos Yaqub e Omar e a filha Rânia, sucumbe ao conflito de uma vida inteira entre Yaqub e Omar.

A narrativa é forte, de qualidade, com avanços e recuos providenciais que vão descortinando as razões do conflito entre os gêmeos e garantem o interesse e permanência na história.

Zana é mulher forte e irá, para o bem e para o mal, fazer o percurso da história familiar girar ao seu redor conduzindo seus integrantes para o que considera ideal, seja na sedução do marido, na orientação sobre os pretendentes da filha, dos amores dos filhos e, embora apresente alguns lampejos de sobriedade, o leitor descobre que, ao final, não conseguiu seu intento maior.

‘Louca para ser livre.’ Palavras mortas. Ninguém se liberta só com palavras. Ela ficou aqui na casa, sonhando com uma liberdade sempre adiada. Um dia, eu lhe disse: Ao diabo com os sonhos: ou a gente age, ou a morte de repente nos cutuca e não há sonho na morte. Todos os sonhos estão aqui.

O gêmeo caçula, talvez pela saúde mais frágil ao nascer, tem franca e abertamente maior atenção e devoção da mãe e percebemos que o contrário é verdadeiro uma vez que o jovem renunciará ao amor para permanecer morando com a família. O gêmeo mais velho ficará aos cuidados de Domingas e sentirá os efeitos da preferência materna.

As diferenças entre os dois são abismais, um é expansivo e boêmio enquanto o outro é retraído e discreto. Fica sublinarmente entendido que um quer o que o outro tem e o desejo velado de posse e vingança conduzirá a história e a família.

A preferência por Omar gera marcas profundas e fortalece o ódio permanente entre os irmãos. As brigas entre os dois ficam mais acirradas, causando cicatrizes, inclusive físicas e a solução paterna de mandar um dos gêmeos para o Líbano revela-se catastrófica.

Após cinco anos Yaqub regressa e sua discrição e dedicação aos estudos ampliam os conflitos relacionais, a mãe não consegue esconder a devoção ao mais novo e o ligeiro orgulho do mais velho que se muda para São Paulo ingressando na maior universidade do país.

A vida segue, Manaus ganha novos contornos políticos e físicos, a “modernidade” bate na porta, os personagens envelhecem sem muita certeza do que poderia ter sido e lidando com os desdobramentos de maneira pontual.

De maneira leve Milton Hatoum apresenta o contexto histórico do pós-guerra, a construção de Brasília, o militarismo e a “modernidade” chegando à Manaus, destruindo a cidade flutuante e mudando o cenário de sua história.

A narração da história é em primeira pessoa e provoca curiosidade do leitor que acaba descobrindo a identidade de maneira tranquila e sendo cúmplice do narrador na apresentação dos fatos e na sequência de sua dúvida existencial.

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Resenha: Serial Killers – Anatomia do Mal – Harold Schechter

/Editora DarkSide Books/Resenhas/

Editora: Darkside Books
Autor: Harold Schechter
ISBN: 9788566636123
Edição: 1
Número de páginas: 448
Acabamento: Capa Dura
Compre: Amazon
Classificação EDS:  100 de 100 pontos

O que faz gente aparentemente normal começar a matar e não parar mais? O que move – e o que pode deter – assassinos em série como Ed Gein, o psicopata americano que inspirou os mais célebres maníacos do cinema, como Norman Bates (Psicose), Leatherface (O Massacre da Serra Elétrica) e Hannibal Lecter (O Silêncio dos Inocentes). Como explicar a compulsão por matar e o prazer de causar dor, sem qualquer arrependimento? De onde vem tanta fúria?
As respostas estão no novo lançamento da editora DarkSide Books: ‘Serial Killers – Anatomia do Mal’, dossiê definitivo sobre o universo sombrio dos psicopatas mais perversos da história. Escrito por Harold Schechter – que pesquisa o tema há mais de três décadas, o livro é referência fundamental a todos os que se interessam pelo universo da investigação e da criminologia.

Minhas impressões

Todo livro que eu leio da DarkSide Books eu saliento a qualidade do trabalho de edição, capa, gramatura das folhas, etc. Esse livro não é diferente. A qualidade dessa editora já virou referência e eu sei que qualquer um que eu comprar deles vai ser assim.

Esse livro era basicamente o “elo de ligação”(calma é brincadeira rs), é basicamente o elo que faltava pra tantas outras obras sobre serial killers no mercado. Digo isso, pois o autor conseguiu trazer de forma didática eu diria, um relato sobre as atrocidades de diversos serial killers, considerados os piores de sua época.

O autor tomou o devido cuidado de explicar as diferenças entre os tipos de serial killers e as doenças que os mesmos sofriam. Ele aborda imparcialmente os casos de estudo que traz, mostrando a visão psicológica do caso, sem todo o brilho que as mídias impõem pra esse tipo de notícia.

Você pode até achar um pouco repetitivo enquanto ele explica as psicopatias no livro, usando por várias vezes o mesmo assassino pra exemplificar o caso. Avaliando isso depois de ler o livro, vi que isso ajudou bastante na hora de memorizar os casos.

Dois dos piores, que eu achei pelo menos foi o Ed Gein, não pela quantidade de mortes, que foi baixa, mas, mais pela doença dele, a incapacidade pura e simples de não sentir. Uma deturpação tão grande no senso do que é bom ou mau que simplesmente ele não sentia que o que fazia era errado. Outro pior dentre eles (se é que dá pra classificar assim) foi o Gacy.

Outro fato interessante é que esse livro me tirou uma dúvida que sempre tive. Se mulheres também eram consideradas serial killers e sim, são. E olha que tem alguns exemplos nos livros que deixariam Mason de cabelo em pé (ou orgulhoso). Ainda nos fatos interessantes, o autor traz exemplos de serial killers em outros países também. Muitos acham que “serial killer” é algo exclusivo de alguns países, mas não, não é.

Enfim, pra quem curte esse tema e tem o estômago um pouco forte (pois quando lemos, acabamos imaginando a cena, certo?), recomendo este livro. É aquele tipo de livro que dá sentido a todos os outros que você leu sobre o assunto. Deixando bem claro de uma vez por todas o que é um serial killer. Como falei, de forma simples e didática.

Até a próxima =]

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Resenha: King of Thorns – Mark Lawrence

/Editora DarkSide Books/Resenhas/

Editora: DarkSide Books
Autor: Mark Lawrence
ISBN: 9788566636246
Edição: 1
Número de páginas: 528
Acabamento: Capa dura
Compre: Amazon
Classificação EDS:  100 de 100 pontos

Este é o meu livro favorito desta excelente trilogia, pois tudo joga contra o nosso anti-herói Jorg. As apostas são altas e as reviravoltas, perfeitas. Depois de assassinar seu tio e garantir um pequeno reino nas montanhas, o jovem Jorg agora encara um inimigo carismático e poderoso – o Princípe de Arrow -, que parece destinado a reunir o Império Destruído. A ação salta entre o presente e o passado, e nos mostra como Jorg viajou pelo império e conseguiu reunir recursos e forças para enfrentar uma batalha aparentemente impossível de ser vencida. Acompanhamos também a história pelo ponto de vista de Katherine, a mulher que Jorg deseja mais do que ninguém, e que ele está destinado a não conquistar jamais.
Apesar de Jorg continuar a ser o mais maquiavélico dos protagonistas, sem hesitação para matar, mutilar ou destruir, caso isso o ajude a alcançar seus objetivos, passamos a compreendê-lo melhor neste livro, e é impossível não torcer por ele. Ele consegue renovar e dar uma reviravolta brutal, explodindo com todas as armadilhas românticas da grande fantasia – lealdade, honra, o bem contra mal e a fé em um causa maior. Às vezes, quando você vê aquele cavaleiro branco em seu cavalo, com uma armadura reluzente e um sorriso brilhante, só quer atirá-lo no chão e dar-lhe um murro na cara dele por ser tão perfeito. Se você já teve essa sensação algum vez, Jorg é o cara.

Minhas impressões

Sei que estou atrasado com essa resenha, mas mesmo assim vale à pena fazê-la. O trabalho do livro como sempre é primoroso. A capa dura, as contra capas pretas e a tipografia são incríveis, mas vou parar de falar disso senão vocês vão achar que é puxação de saco da DarkSide. Porém o trabalho deles é incrível =]

Esperei ansiosamente o lançamento do King of Thorns, tanto que comprei na pré venda da Saraiva (que por sinal me decepcionou alterando a data de lançamento, colocando a culpa na editora, alterando data de entrega e vários outros problemas que eles não admitiram), até que chegou. Deixei de lado o que eu estava lendo, pois Jorg exige toda a atenção.

Finalmente ele toma posse de algo que é de direito dele, o reinado de seu tio, vingando em partes a morte de sua mãe e irmão. Mas Jorg tem uma pré disposição incrível pra problemas. Ele atraí problemas como ele mesmo fala.

Nesta continuação ele já está com 18 anos, porém o livro alterna entre o tempo atual e quatro anos atrás quando finalizou o outro livro. É perceptível que ele amadureceu e se tornou um pouco mais sensato, nem tanto, mas tudo bem. Nesse meio tempo ele precisa enfrentar um grande problema que é a própria consciência dele que não o deixa esquecer algo terrível que ele fez (sim, algo que nem ele teria coragem de fazer e que eu não vou falar claro).

Algo que é inevitável eu contar é que ele vai conhecer uma parte de sua família e no meio do caminho pra lá acontecem alguns sérios problemas. Nada é fácil no caminho dele.

Nessa alternância de tempo, passado e presente, conhecemos um dos empecilhos no caminho de Jorg para se tornar um imperador, o rei de Arrow. Conhecido por sua bondade e misericórdia ele é um grande candidato ao cargo de Imperador e tem seu destino predestinado por diversos videntes, o que leva Jorg a desconfiar. Bom, como vocês sabem que Jorg anseia por ser Imperador é claro que eles vão se enfrentar. A única coisa que posso falar disso é que Jorg continua sendo afiado pra ca#$%@. Você fica imaginando como pode um garoto de dezoito anos ser tão astuto. Sun Tzu ficaria extremamente orgulhoso desse garoto.

Enfim, antes que eu me empolgue e conte algo importante. A continuação da saga é incrível. Não deixa nada à desejar do que já vimos no primeiro livro. A única coisa que eu questionaria é que tem pouco sangue nesse livro rs, é um gosto pessoal, mas ok. De qualquer forma recomendo efusivamente que você leia a continuação, só um louco pra não ler a continuação. Afinal, Jorg exige toda sua atenção =)

Até!

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Resenha: Dragão Vermelho – Thomas Harris

/Editora Record/Resenhas/

Editora: Record
Autor: Thomas Harris
ISBN: 9788577992256
Edição: 1
Número de páginas: 384
Acabamento: Brochura
Compre: Amazon
Classificação EDS:  100 de 100 pontos

Quando trabalhava como agente do FBI, Will Graham conseguiu reunir provas suficientes para condenar o canibal Hannibal Lecter. Depois do episódio, decidiu mudar-se para a Flórida com sua família, mas seus dias de tranquilidade são interrompidos quando um antigo chefe lhe pede para investigar uma série de assassinatos misteriosos. Graham começa a seguir as pistas do cruel criminoso conhecido como Fada do Dente. Logo percebe que para capturá-lo será preciso compreender sua mente doentia. Para isso, entretanto, Graham terá de enfrentar seus fantasmas e pedir ajuda ao Dr. Lecter, o que pode ter consequências desastrosas.

Minhas impressões

Eu tinha um péssimo costume de evitar ler livros clássicos. Sempre achei que fazer resenha de um livro clássico era desnecessário já que existem milhões de resenhas deles por aí, mas enfim, essa é mais uma então =]

Dentre os livros clássicos que eu sempre quis ler existe esse, tanto pelo filme quando pelo fato de contar com a participação de Hannibal Lecter, uma tímida participação, mas importante.

Will Graham ficou conhecido no primeiro livro do autor em que ele (spoiler) descobre que Lecter é que vinha matando as pessoas e canibalizando-as. Seu modo peculiar de pensar como o assassino garantiu um lugar especial na literatura criminal e também um lugar especial no coração de Lecter, uma vez que ele (Graham) foi o único que conseguiu descobrir e compreender como Lecter “funcionava”.

Por esse modo único de pensar, Graham também é um pouco perturbado. É perceptível que ele vive num limiar entre o terror do que ele está investigando e o horror de ele mesmo ser capaz de cometer aqueles atos. No livro cita que ele passa algum tempo internado numa instituição de psiquiatria, após matar um assassino que ele estava investigando. Essa morte faz com que ele questione exatamente o limiar que citei acima.

Cito isso, pois logo no início do livro, quando ocorrem os primeiros assassinatos, Will decide recorrer à Lecter na esperança de que o doutor consiga de alguma forma compreender e dizer quem, ou como esse assassino age. Existe uma certa relutância em Will a fazer isso dado seu histórico com Lecter. No livro a interação real que Will tem com Lecter é somente esta, depois disso somente por cartas. No filme é bem diferente, tendo mais diálogos entre eles, mas isso não chega a distanciar muito as versões.

O dentuço, posteriormente o dragão, é o tipico serial killer. Reprimido quando criança. Tendo uma estrutura familiar péssima, autoestima baixíssima e hostilizado por sua aparência, acaba crescendo e vendo numa pintura de William Blake, intitulada de O Grande Dragão Vermelho e a Mulher Vestida de Sol, tem uma revelação: ele nascera dessa forma para se transformar no Dragão. O destino dele era ser o grande Dragão vermelho e para concluir essa transformação ele precisava de sacrifícios.

O livro em si não traz muita interação entre o Graham e o assassino. O foco basicamente fica no jogo psicológico que o autor faz ao descrever minuciosamente a busca de Will por provas e sua dificuldade em lidar com um novo assassino, e a busca do assassino por novas vítimas e como ele justifica até mesmo pra si a sua teoria.

Como falei o autor faz muito bem um jogo com o leitor entre a teoria do assassino e o tormento do Will. Pra explicar melhor isso, vou citar a série de televisão Hannibal que na segunda temporada (spoiler) traz a dúvida se o Will não é na verdade um serial killer, ou seja, a diferença entre ele e o dragão é muito pequena. As posições dos dois poderia ser somente um escolha diferente no passado de ambos. Pelo menos foi assim que compreendi as obras desse autor.

Enfim, a obra é estupenda. Como falei, o jogo que o autor faz com o leitor deixa o suspense mais carregado. O enredo em si não é tão tenebroso assim, mas a trama, como foi disposta, dá aquele friozinho na espinha e a vontade louca de terminar o livro. Se você não leu ainda, recomendo que leia e se não assistiu o filme ainda, assista!

Até a próxima =]

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Resenha: Exorcismos, amores e uma dose de blues – Eric Novello

/Editora Gutenberg/Resenhas/

Editora: Gutenberg
Autor: Eric Novello
ISBN: 9788582351758
Edição: 1
Número de páginas: 336
Acabamento: Brochura
Compre: Amazon
Classificação EDS:  100 de 100 pontos

Tiago Boanerges é um mago nada convencional. Responsável por exorcizar oníricos fugitivos do mundo dos sonhos, viu o sucesso escorrer pelos dedos ao cometer um erro em uma missão. Demitido, sem amigos e com uma doença misteriosa, descobriu que a sorte é uma amiga traiçoeira e fugaz. Agora, anos depois de recuperar a saúde e transformar a má fama em uma profissão lucrativa, a sorte parece ter se lembrado dele mais uma vez. Uma proposta de seu antigo chefe pode ser a chance que esperava para dar a volta por cima e colocar a vida nos eixos – mas também mergulhar novamente nas armadilhas de um amor que pode lhe custar a vida. Neste Exorcismos, amores e uma dose de blues, Eric Novello nos proporciona diálogos diretos e sarcásticos, num cenário fantástico que tem muitos ecos de realidade.

Minhas impressões

Estava na Bienal de livros desse ano, triste e sem vontade de cantar uma bela canção, pois a grana estava curta, logo tive que escolher muito bem os livros que eu levaria.

Andando com duas amigas minhas, uma capa me chamou atenção. Tanto que fui pro stand pra saber do que se tratava o livro. Pra minha sorte, o autor estava no stand! Quem melhor do que o autor pra explicar sobre o livro? Mesmo ele dando alguns spoilers gostei do livro e comprei.

Resenha: Mago – Livro Dois – Mestre – Raymond E. Feist

/Editora Saída de Emergência/Resenhas/

capa_Rainha_da_Chuva.aiEditora: Saída de Emergência
Autor: Raymond E. Feist
ISBN: 9788567296036
Edição: 1
Número de páginas: 432
Acabamento: Brochura
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Classificação EDS:  100 de 100 pontos

Passaram-se três anos desde o terrível cerco a Crydee. Os três rapazes que eram os melhores amigos do mundo encontram-se agora a quilômetros de distância uns dos outros. Pug, um escravo dos Tsurani, está prestes a se tornar um dos maiores magos que já existiram. Tomas, um grande guerreiro entre os elfos, arrisca-se a perder sua humanidade para a armadura encantada que veste. Arutha, Príncipe de Crydee, luta desesperadamente contra invasores e traidores para salvar seu reino.

Minhas impressões

Faz um bom tempo que li esse livro, mas fiquei devendo a resenha dele. Algo injusto, já que o livro é excelente, mas deixemos a ressaca literária de lado e vamos à resenha.

Mago livro dois não é daquele tipo de continuação que enrola o leitor relembrando tudo que aconteceu pra continuar a história. O segundo livro começa exatamente de onde parou o outro, a história de Pug em seu “cativeiro”. Se não me engano no final do primeiro livro, Pug é descoberto por um dos magos de Kelewan e é levado para a “escola” deles para ser testado. Aqui a trama começa a ficar interessante.

Pug no seu planeta natal, Midkemia, já mostrava habilidades com magia, porém não conseguia progredir com os ensinamentos de seu mestre. Algo com o tipo de magia basica que ele praticava o impedia de seguir em frente. Não é o caso nesse planeta. Aqui os magos são tidos como santos. Chamados de Grandes, eles tem suas próprias leis e tem seu devido espaço para aprenderem e dominarem a magia elemental e é essa magia que Pug começa a mostrar excelência. Com pouco tempo de ensinamento ele já mostra uma evolução que outros aprendizes não tiveram e (encurtando bem a história) acaba se “graduando” com louvor.

Por ter se mostrado tão bom no entendimento da magia e dos conceitos desse novo planeta Pug ganha um lugar de destaque, mesmo sendo forasteiro e assim ele ganha espaço próprio para aprender mais sobre a cultura de sua nova pátria. Lembram-se da escrava que ele se apaixonou no primeiro livro? Pois é, ele se casa com ela (juro que é o único spoiler que dou).

Pois bem, seguindo um pouco em frente pra não revelar nada, vou falar sobre o que eu senti em uma determinada parte do livro.

Em uma espécie de torneio neste novo mundo, Pug não gosta do que vê. Seus compatriotas de sua antiga terra natal, sendo massacrados e aí meus amigos acontece algo incrível. Sabem aquela sensação que você tem quando um vilão terrível de um filme, que passa o filme inteiro fazendo maldades, no filnal do filme acaba perdendo pro herói? Aquela sensação de satisfação misturado com alegria que vai preenchendo o peito quando finalmente o cara é derrotado? Pois é algo assim que eu senti quando li essa parte. Foi aqui que eu vi o quanto Pug é poderoso.

Por esse evento acima, Pug é obrigado a fugir pra sua terra natal. Nesse retorno ele acaba percebendo quanto tempo passou fora e como seus amigos cresceram. Tem outro detalhe que ele percebe também. O inimigo não é a guerra. O inimigo maior não são os dois mundos brigando e sim um bem pior que está chegando.

Enfim, a continuação da saga é incrível. Os acontecimentos que tanto esperávamos, a grandeza que queríamos ver em Pug no primeiro livro, vemos no segundo. Como falei uma satisfação de ver Pug crescendo vem com cada página lida. Sem contar a ansiedade de saber o que ele vai fazer em seguida. Se você leu o primeiro e ficou na dúvida se a saga era boa, você tem problema, saiba que é sim e recomendo com toda certeza do mundo que você leia o segundo. Não vai restar dúvida nenhuma que o autor é excelente e que a saga é obrigatória na sua estante.

Até a próxima =]

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