Resenha: Dois Irmãos – Milton Hatoum

/Editora Companhia das Letras/Resenhas/

dois-irmãos-estante-dos-sonhosEditora: Companhia das Letras
Autor: Milton Hatoum
ISBN: 9788535908336
Edição: 1
Número de páginas: 200
Acabamento: Brochura
Compre: Amazon
Classificação EDS:  100 de 100 pontos

Onze anos depois da publicação de Relato de um certo Oriente, Milton Hatoum retoma os temas do drama familiar e da casa que se desfaz. Dois irmãos é a história de como se constroem as relações de identidade e diferença numa família em crise. O enredo desta vez tem como centro a história de dois irmãos gêmeos – Yaqub e Omar – e suas relações com a mãe, o pai e a irmã. Moram na mesma casa Domingas, empregada da família, e seu filho. Esse menino – o filho da empregada – narra, trinta anos depois, os dramas que testemunhou calado.
Buscando a identidade de seu pai entre os homens da casa, ele tenta reconstruir os cacos do passado, ora como testemunha, ora como quem ouviu e guardou, mudo, as histórias dos outros. Do seu canto, ele vê personagens que se entregam ao incesto, à vingança, à paixão desmesurada. O lugar da família se estende ao espaço de Manaus, o porto à margem do rio Negro: a cidade e o rio, metáforas das ruínas e da passagem do tempo, acompanham o andamento do drama familiar. Prêmio Jabuti 2001 de Melhor Romance.

Minhas impressões

Há tempos não lia uma obra que me prendesse tanto! O curioso é que Dois irmãos esteve comigo há uns três anos, rolou na pilha de “livros pra ler”, indicado por uma amiga que sabia exatamente minha sensibilidade e preferências e que, pior para justificar minha não leitura, costumava seguir minhas indicações de livros e filmes.

O fato é que acabei, não sem certo constrangimento, devolvendo-o depois de achar estranho o início que narra a história da matriarca da família no leito de morte questionando sobre a reconciliação dos filhos… Um enredo que misturava o Líbano, a Manaus do pós-guerra e algo que me pareceu, até certo ponto continuo com a impressão, uma relação incestuosa.

Não, fôlego ele não tinha para acompanhar o irmão. Nem coragem. Sentia raiva, de si próprio e do outro, quando via o braço do Caçula enroscado no pescoço de um curumins.

Retomei o contato com a obra a partir da notícia de que dois artistas, outros irmãos, Gabriel Bá e Fábio Moon estavam adaptando-a para a arte da graphic novel. Como acompanho a carreira dos quadrinistas, adquiri o livro original para poder “avaliar” o trabalho dos irmãos.

Por duas noites fui completamente fisgada pela trama e trajetória da família de origem libanesa que, iniciada numa história de amor entre Zana e Halime e completa pela cunhatã Domingas criada como empregada, os filhos gêmeos Yaqub e Omar e a filha Rânia, sucumbe ao conflito de uma vida inteira entre Yaqub e Omar.

A narrativa é forte, de qualidade, com avanços e recuos providenciais que vão descortinando as razões do conflito entre os gêmeos e garantem o interesse e permanência na história.

Zana é mulher forte e irá, para o bem e para o mal, fazer o percurso da história familiar girar ao seu redor conduzindo seus integrantes para o que considera ideal, seja na sedução do marido, na orientação sobre os pretendentes da filha, dos amores dos filhos e, embora apresente alguns lampejos de sobriedade, o leitor descobre que, ao final, não conseguiu seu intento maior.

‘Louca para ser livre.’ Palavras mortas. Ninguém se liberta só com palavras. Ela ficou aqui na casa, sonhando com uma liberdade sempre adiada. Um dia, eu lhe disse: Ao diabo com os sonhos: ou a gente age, ou a morte de repente nos cutuca e não há sonho na morte. Todos os sonhos estão aqui.

O gêmeo caçula, talvez pela saúde mais frágil ao nascer, tem franca e abertamente maior atenção e devoção da mãe e percebemos que o contrário é verdadeiro uma vez que o jovem renunciará ao amor para permanecer morando com a família. O gêmeo mais velho ficará aos cuidados de Domingas e sentirá os efeitos da preferência materna.

As diferenças entre os dois são abismais, um é expansivo e boêmio enquanto o outro é retraído e discreto. Fica sublinarmente entendido que um quer o que o outro tem e o desejo velado de posse e vingança conduzirá a história e a família.

A preferência por Omar gera marcas profundas e fortalece o ódio permanente entre os irmãos. As brigas entre os dois ficam mais acirradas, causando cicatrizes, inclusive físicas e a solução paterna de mandar um dos gêmeos para o Líbano revela-se catastrófica.

Após cinco anos Yaqub regressa e sua discrição e dedicação aos estudos ampliam os conflitos relacionais, a mãe não consegue esconder a devoção ao mais novo e o ligeiro orgulho do mais velho que se muda para São Paulo ingressando na maior universidade do país.

A vida segue, Manaus ganha novos contornos políticos e físicos, a “modernidade” bate na porta, os personagens envelhecem sem muita certeza do que poderia ter sido e lidando com os desdobramentos de maneira pontual.

De maneira leve Milton Hatoum apresenta o contexto histórico do pós-guerra, a construção de Brasília, o militarismo e a “modernidade” chegando à Manaus, destruindo a cidade flutuante e mudando o cenário de sua história.

A narração da história é em primeira pessoa e provoca curiosidade do leitor que acaba descobrindo a identidade de maneira tranquila e sendo cúmplice do narrador na apresentação dos fatos e na sequência de sua dúvida existencial.

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Resenha: Serial Killers – Anatomia do Mal – Harold Schechter

/Editora DarkSide Books/Resenhas/

Editora: Darkside Books
Autor: Harold Schechter
ISBN: 9788566636123
Edição: 1
Número de páginas: 448
Acabamento: Capa Dura
Compre: Amazon
Classificação EDS:  100 de 100 pontos

O que faz gente aparentemente normal começar a matar e não parar mais? O que move – e o que pode deter – assassinos em série como Ed Gein, o psicopata americano que inspirou os mais célebres maníacos do cinema, como Norman Bates (Psicose), Leatherface (O Massacre da Serra Elétrica) e Hannibal Lecter (O Silêncio dos Inocentes). Como explicar a compulsão por matar e o prazer de causar dor, sem qualquer arrependimento? De onde vem tanta fúria?
As respostas estão no novo lançamento da editora DarkSide Books: ‘Serial Killers – Anatomia do Mal’, dossiê definitivo sobre o universo sombrio dos psicopatas mais perversos da história. Escrito por Harold Schechter – que pesquisa o tema há mais de três décadas, o livro é referência fundamental a todos os que se interessam pelo universo da investigação e da criminologia.

Minhas impressões

Todo livro que eu leio da DarkSide Books eu saliento a qualidade do trabalho de edição, capa, gramatura das folhas, etc. Esse livro não é diferente. A qualidade dessa editora já virou referência e eu sei que qualquer um que eu comprar deles vai ser assim.

Esse livro era basicamente o “elo de ligação”(calma é brincadeira rs), é basicamente o elo que faltava pra tantas outras obras sobre serial killers no mercado. Digo isso, pois o autor conseguiu trazer de forma didática eu diria, um relato sobre as atrocidades de diversos serial killers, considerados os piores de sua época.

O autor tomou o devido cuidado de explicar as diferenças entre os tipos de serial killers e as doenças que os mesmos sofriam. Ele aborda imparcialmente os casos de estudo que traz, mostrando a visão psicológica do caso, sem todo o brilho que as mídias impõem pra esse tipo de notícia.

Você pode até achar um pouco repetitivo enquanto ele explica as psicopatias no livro, usando por várias vezes o mesmo assassino pra exemplificar o caso. Avaliando isso depois de ler o livro, vi que isso ajudou bastante na hora de memorizar os casos.

Dois dos piores, que eu achei pelo menos foi o Ed Gein, não pela quantidade de mortes, que foi baixa, mas, mais pela doença dele, a incapacidade pura e simples de não sentir. Uma deturpação tão grande no senso do que é bom ou mau que simplesmente ele não sentia que o que fazia era errado. Outro pior dentre eles (se é que dá pra classificar assim) foi o Gacy.

Outro fato interessante é que esse livro me tirou uma dúvida que sempre tive. Se mulheres também eram consideradas serial killers e sim, são. E olha que tem alguns exemplos nos livros que deixariam Mason de cabelo em pé (ou orgulhoso). Ainda nos fatos interessantes, o autor traz exemplos de serial killers em outros países também. Muitos acham que “serial killer” é algo exclusivo de alguns países, mas não, não é.

Enfim, pra quem curte esse tema e tem o estômago um pouco forte (pois quando lemos, acabamos imaginando a cena, certo?), recomendo este livro. É aquele tipo de livro que dá sentido a todos os outros que você leu sobre o assunto. Deixando bem claro de uma vez por todas o que é um serial killer. Como falei, de forma simples e didática.

Até a próxima =]

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Resenha: King of Thorns – Mark Lawrence

/Editora DarkSide Books/Resenhas/

Editora: DarkSide Books
Autor: Mark Lawrence
ISBN: 9788566636246
Edição: 1
Número de páginas: 528
Acabamento: Capa dura
Compre: Amazon
Classificação EDS:  100 de 100 pontos

Este é o meu livro favorito desta excelente trilogia, pois tudo joga contra o nosso anti-herói Jorg. As apostas são altas e as reviravoltas, perfeitas. Depois de assassinar seu tio e garantir um pequeno reino nas montanhas, o jovem Jorg agora encara um inimigo carismático e poderoso – o Princípe de Arrow -, que parece destinado a reunir o Império Destruído. A ação salta entre o presente e o passado, e nos mostra como Jorg viajou pelo império e conseguiu reunir recursos e forças para enfrentar uma batalha aparentemente impossível de ser vencida. Acompanhamos também a história pelo ponto de vista de Katherine, a mulher que Jorg deseja mais do que ninguém, e que ele está destinado a não conquistar jamais.
Apesar de Jorg continuar a ser o mais maquiavélico dos protagonistas, sem hesitação para matar, mutilar ou destruir, caso isso o ajude a alcançar seus objetivos, passamos a compreendê-lo melhor neste livro, e é impossível não torcer por ele. Ele consegue renovar e dar uma reviravolta brutal, explodindo com todas as armadilhas românticas da grande fantasia – lealdade, honra, o bem contra mal e a fé em um causa maior. Às vezes, quando você vê aquele cavaleiro branco em seu cavalo, com uma armadura reluzente e um sorriso brilhante, só quer atirá-lo no chão e dar-lhe um murro na cara dele por ser tão perfeito. Se você já teve essa sensação algum vez, Jorg é o cara.

Minhas impressões

Sei que estou atrasado com essa resenha, mas mesmo assim vale à pena fazê-la. O trabalho do livro como sempre é primoroso. A capa dura, as contra capas pretas e a tipografia são incríveis, mas vou parar de falar disso senão vocês vão achar que é puxação de saco da DarkSide. Porém o trabalho deles é incrível =]

Esperei ansiosamente o lançamento do King of Thorns, tanto que comprei na pré venda da Saraiva (que por sinal me decepcionou alterando a data de lançamento, colocando a culpa na editora, alterando data de entrega e vários outros problemas que eles não admitiram), até que chegou. Deixei de lado o que eu estava lendo, pois Jorg exige toda a atenção.

Finalmente ele toma posse de algo que é de direito dele, o reinado de seu tio, vingando em partes a morte de sua mãe e irmão. Mas Jorg tem uma pré disposição incrível pra problemas. Ele atraí problemas como ele mesmo fala.

Nesta continuação ele já está com 18 anos, porém o livro alterna entre o tempo atual e quatro anos atrás quando finalizou o outro livro. É perceptível que ele amadureceu e se tornou um pouco mais sensato, nem tanto, mas tudo bem. Nesse meio tempo ele precisa enfrentar um grande problema que é a própria consciência dele que não o deixa esquecer algo terrível que ele fez (sim, algo que nem ele teria coragem de fazer e que eu não vou falar claro).

Algo que é inevitável eu contar é que ele vai conhecer uma parte de sua família e no meio do caminho pra lá acontecem alguns sérios problemas. Nada é fácil no caminho dele.

Nessa alternância de tempo, passado e presente, conhecemos um dos empecilhos no caminho de Jorg para se tornar um imperador, o rei de Arrow. Conhecido por sua bondade e misericórdia ele é um grande candidato ao cargo de Imperador e tem seu destino predestinado por diversos videntes, o que leva Jorg a desconfiar. Bom, como vocês sabem que Jorg anseia por ser Imperador é claro que eles vão se enfrentar. A única coisa que posso falar disso é que Jorg continua sendo afiado pra ca#$%@. Você fica imaginando como pode um garoto de dezoito anos ser tão astuto. Sun Tzu ficaria extremamente orgulhoso desse garoto.

Enfim, antes que eu me empolgue e conte algo importante. A continuação da saga é incrível. Não deixa nada à desejar do que já vimos no primeiro livro. A única coisa que eu questionaria é que tem pouco sangue nesse livro rs, é um gosto pessoal, mas ok. De qualquer forma recomendo efusivamente que você leia a continuação, só um louco pra não ler a continuação. Afinal, Jorg exige toda sua atenção =)

Até!

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