Resenha: Minha parte silenciosa – Andrew Smith

/Editora Gutenberg/Resenhas/

Editora: Gutenberg
Autor: Andrew Smith
ISBN: 9788582351246
Edição: 1
Número de páginas: 304
Acabamento: Brochura
Classificação EDS: 100 de 100 pontos

Stark McClellan tem 14 anos. Muito alto e magro, tem o apelido de Palito, mas sofre bullying porque é ‘deformado’, já que nasceu apenas com uma orelha. Seu irmão Bosten, o defende em qualquer situação, porém ambos não conseguem se proteger de seus pais abusivos, que os castigam quase todos os dias. Ao enfrentar as dificuldades da adolescência, é a amizade e o apoio do irmão sua referência de amor. Um dia, porém, o pai descobre um segredo de Bosten, que foge de casa. E Palito, em uma jornada de amadurecimento, o buscará para ajudá-lo.

Minhas Impressões

Esse livro foi mais um dos poucos escolhidos na Bienal já que eu estava com pouquíssimo dinheiro. Depois de ver a capa e o título ter me chamado a atenção, li a contracapa e gostei.

O que vou comentar agora vai parecer um pouco insensível, mas não é. Logo que se inicia o livro, Stark mostra que ele tem uma deficiência. Ele não tem uma das orelhas, somente o canal auditivo. Por um bom tempo no começo do livro ele fala como se sente feio, oprimido e blá blá blá. Quase desisti do livro nessa parte. Como falei soa um pouco insensível, mas não gosto de quem fica se lamentando, independente do problema que tenha. Conheço pessoas com deficiências graves que fazem mais e vivem mais intensamente do que eu, mas enfim, resolvi dar uma chance ao livro e não me arrependi =]

Stark é um menino magrelo e extremamente alto pra sua idade, por isso seu apelido era palito. Pelo fato de ter nascido com anotia (não ter uma das orelhas) ele era bastante complexado com sua aparência, sempre usando um gorro pra esconder essa parte. Clichê de escolas americanas, ele era perseguido pelos outros garotos da escola. Stark tem aquele tipo de inocência genuína não por ser novo, mas mais pro tipo de pessoa ingênua. Mesmo sofrendo na escola ele não conseguia pensar em revidar.

Bosten, seu irmão é o oposto. É bonito e “normal”. Não era popular na escola, mas tinha seu grupo e sempre defendia o irmão. Os dois tinham uma cumplicidade que só irmãos próximos (e que sofrem juntos) tem. Bosten sempre procurou levar o irmão onde fosse, não por dó, mas por amar mesmo. Só os dois sabiam o que era ser eles e vocês terão uma ideia do motivo.

Se me lembro bem o livro se passa na década de 60 e Stark mora com sua família em uma cidade no interior de Washington. Uma cidade afastada da “cidade grande”e totalmente tradicional. Daquelas que todo mundo deveria ir para a igreja no domingo, senão seria considerado um herege. Na casa do Stark e Bosten a situação era pior. O pai deles era do tipo controlador e possessivo; a mãe do tipo omissa. Stark era praticamente invisível na casa. Ele sempre achou que, para os pais ele foi um erro que acabou nascendo. Conforme as folhas e capítulos vão passando, vocês vão vendo as barbaridades que acontecem. Uma delas que posso contar sem dar spoiler é o quartinho dos fundos onde eles ficavam presos como forma de castigo. Um lugar com um balde como banheiro.

Stark tinha uma única amiga além de seu irmão, A Emily, com quem ele costumava passar as tardes. Seu irmão tinha o Paul.

Tudo começa a degringolar em uma sucessão de problemas. Primeiro Bosten acaba levando um castigo pesadíssimo por ter ajudado seu irmão. Segundo, quando Stark acaba pegando seu irmão no flagra e terceiro quando o que Stark flagrou, acaba sendo revelado para todos na cidade. Sim eu sei que fui vago, mas é proposital 😉

Bosten não consegue aguentar e acaba fugindo de casa. Com isto Stark fica sozinho com seu pai…

Como falei, Stark tem essa certa inocência e o amor que ele tem pelo irmão é tão genuíno que não suporta a ideia de deixar seu irmão sozinho. Mesmo não tendo idade para dirigir ele pega o carro do pai e parte em busca do irmão que está passando por uma péssima fase.

Evitando contar boa parte, a sequência dos eventos são comoventes. Creio que a inocência do Stark dá esse toque no livro e vai fazendo o leitor querer descobrir logo o que vai acontecer. Você vai passar alguns momentos de raiva, principalmente com a mãe omissa deles. E vai se deliciar com pequenas vitórias que eles tem. Recomendo o livro com certeza. É uma leitura incomum e isso a torna interessante.

Até a próxima e pls deixe um comentário =)

Resenha: A Memória de Todos Nós – Eric Nepomuceno

/Editora Record/Resenhas/

Editora: Record
Autor: Eric Nepomuceno
ISBN: 9788501103239
Edição: 3
Número de páginas: 192
Acabamento: Brochura
Classificação EDS:  100 de 100 pontos

As últimas décadas da América Latina por um dos maiores jornalistas do país e tradutor de García Márquez e Cortázar.
Eric Nepomuceno traz histórias passadas na Argentina, no Chile e no Uruguai, representativas do longo e tenebroso período que a América Latina viveu entre 1954 e 1990. São narrativas acerca da trajetória de alguns personagens marcantes, não por serem únicos, mas por resgatarem exemplos do que aconteceu em todas as outras nações que viveram o mesmo pesadelo.

Minhas Impressões

Estamos vivendo um momento histórico de alerta no tocante a todas as conquistas sociais, políticas e econômicas dos últimos anos. Nossa Democracia é jovem e por isso tem presenciado a herança cultural brasileira em que estão arraigadas a corrupção, o desprezo às classes menos favorecidas, o pouco investimento na Educação e por aí vai, mas o amadurecimento de um povo perpassa pelo entendimento real de nosso passado.

A Memória de Todos Nós é um livro cortante sobre uma das verdades para as quais precisamos despertar e não esquecer, o período em que vivemos sob o regime ditatorial.

Em meados de 1976, por mais incrível que pareça, somente dois países da América do Sul, Venezuela e Colômbia, estavam vivendo regimes de governo constitucionais, os demais seguiam sob longas e tenebrosas ditaduras.

A obra vai discorrer sobre algumas peculiaridades e semelhanças entre as ditaduras dos governos sul-americanos e como, passada a escuridão, cada um enfrentou ou enfrenta as heranças deixadas. Foram instituídas Comissões da Verdade que provocaram e trouxeram à tona verdades ocultas, mas que continuam a esbarrar num sem número de dificuldades no sentido de punições ou ressarcimentos.

Citando Leonardo Boff: ‘Acho importante o resgate da memória porque a memória é subversiva. E uma das coisas que ocorreram em nosso país com mais peso foi o ato de apagar a memória dos vencidos – dos escravos, dos indígenas.’

São muitos os interesses para a manutenção de uma memória anestesiada. Vários setores ganharam dinheiro durante o período da ditadura e reviver certos pontos traria à tona questionamentos para alguns empresários, fazendeiros e até proprietários de meios de comunicação.

As ditaduras e suas histórias de horror são cruéis, mas o requinte assustador das histórias dos bebês de militantes assassinadas que foram roubados e entregues a militares para serem criadas por famílias ideologicamente puras são de arrepiar.

Lá estava o detalhado, tenebroso inventário de horrores. Lá estava a história de prisões ilegais, roubos, seqüestros, assassinatos, desaparecimentos. E lá estava também a história dos bebês de militantes assassinadas e que haviam sido roubados por policiais e militares e criados sem saber quem era, sem ter a própria verdade.

O diferencial da obra na minha leitura foram algumas passagens em que o autor narra a busca pelos desaparecidos e, em especial, para alguns que foram encontrados pelo trabalho incansável da Associação das Avós da Praça de Maio. São esforços hercúleos para descobrir a mínima pista do paradeiro dos que tiveram suas vidas e memórias roubadas.

Vale a leitura e trazendo para 2015, observamos os defensores do retorno de uma ditadura civil-militar e avaliamos essa questão como um desaviso, falta de conhecimento histórico e ainda de clareza sobre possibilidades de enfrentarmos coletiva e democraticamente a insatisfação com o momento atual.

Resenha: Livre – Cheryl Strayed

/Editora Objetiva/Resenhas/

Editora: Objetiva
Autor: Cheryl Strayed
ISBN: 9788539006458
Edição: 1
Número de páginas: 376
Acabamento: Brochura
Classificação EDS:  100 de 100 pontos

Aos 22 anos, Cheryl Strayed achou que tivesse perdido tudo. Após a repentina morte da mãe, a família se distanciou e seu casamento desmoronou. Quatro anos depois, aos 26 anos, sem nada a perder, tomou a decisão mais impulsiva da vida: caminhar 1.770 quilômetros da chamada Pacific Crest Trail (PCT) – trilha que atravessa a costa oeste dos Estados Unidos – sem qualquer companhia. Cheryl não tinha experiência em caminhadas de longa distância e a trilha era bem mais que uma linha num mapa. “Minha caminhada solitária de três meses pela costa oeste teve muitos começos. Mas, na realidade, minha caminhada começou antes de eu sequer imaginar empreendê-la, mais precisamente quatro anos, sete meses e três dias antes, quando estava em um pequeno quarto da Clínica Mayo, em Rochester, Minnesota, e soube que minha mãe ia morrer”, escreve a autora.

Minhas Impressões

A curiosidade para ler “Livre” surgiu a partir de uma fala solta da atriz Reese Witherspoon, interprete da personagem principal na adaptação da obra para o cinema, onde ponderava sobre a dificuldade imensa durante as filmagens, pensei que se as gravações foram difíceis, imagine o percurso real de incríveis 1770 km percorridos ao longo de três meses da Pacific Crest Trail (PCT).

O livro apresenta a fase em que, sem elaborar o luto pela morte precoce de sua mãe, a autora se entrega a um processo de autodestruição que envolve traição, sexo com os mais diversos estranhos, abandono da faculdade, distanciamento da família, divórcio, aborto, uso abusivo de drogas e a trilha como possibilidade de redenção.

Seis meses antes da caminhada Cheryl Strayed compra o guia da PCT e seu objetivo passa a ser a aventura. Faz estudos, leituras, economias, compras e toma as providencias que considerava ideais para garantir o percurso.

Após titubeio inicial daquela força que impede as grandes mudanças, a caminhada vai acontecendo e os fantasmas vão sendo apresentados e enfrentados alternadamente em uma retrospectivas sem ordem cronológica exata e que acaba facilitando a vida do leitor como companheiro silencioso do trajeto.

Os obstáculos e surpresas vão se alternando, por vezes foram resultado da falta de experiência e melhor planejamento da trilha, pelo imponderável dentro da floresta, encontro com ursos, cobras, raposas, homens com intenção duvidosa, botas que rolam desfiladeiro abaixo e o rigor do clima. Foram tantos que durante a leitura, em vários momentos, esqueci o desfecho de sucesso e soltei interjeições do tipo “agora ela desiste”, “não dá mais” e “putz…ferrou”.

Tinha a ver apenas com a sensação de estar na natureza. Com o que significava caminhar quilômetros por nenhuma outra razão a não ser observar a concentração de árvores e os prados, as montanhas, os desertos e riachos, as rochas, os rios e campos, e cada amanhecer e entardecer. A experiência era potente e fundamental. A mim parecia que a sensação do ser humano na natureza sempre tinha sido essa.

As pessoas com quem encontra são determinantes para revigorar sua fé, exercitar a humildade, a coragem, o companheirismo, o sexismo e marcam a jornada da heroína de maneira simbólica e contribuindo em seu processo de autoconhecimento.

Por fim, observamos que a solidão do período, dos encontros e desencontros e cada uma das intempéries, foram necessários para a composição do mosaico do reencontro de si e exorcismo do que se passou e possibilidade de assumir e trilhar o caminho da própria vida.

A leitura dessa obra suscitou a vontade de conversar com alguém que passou por essa experiência. Por isso segue uma entrevista com a Jaque. Contando rapidamente, ela é uma colega do André e como ele diz é uma pessoa excepcional que tem viajado o mundo. Se quiser segui-la o site dela é www.followjaque.com

Entrevista

Teve algum gatilho, alguma coisa que fez você querer mudar de país?
Sim… A primeira vez que decidi deixar o Brasil, foi quando percebi que por não falar outro idioma, não poderia ter um dos trabalhos que eu mais desejava, mas depois, ao organizar tudo e decidir pra onde ir, muitas coisas mudaram e acabei alterando algumas prioridades.

Precisou de muita coragem pra encarar o desconhecido?
Sempre meti a cara e fiz tudo que me deu na telha… então pra mim, foi uma decisão como qualquer outra da minha vida.

Qual o primeiro país que você foi e qual sensação que você teve ao chegar lá?
Portugal. Foi uma emoção muito grande chegar ao país que nos colonizou, andar pelas ruas do velho mundo, foi a sensação de um sonho se realizando.

A diferença foi muito grande do país natal e como lida com os choques culturais?
Não muito, se bem que apesar da língua ser Português, as diferenças são muitas. O sotaque, palavras, significados. Já estou tão acostumada com as diferenças, que não tenho um choque assim tao grande. Pelo menos até agora. Creio que mais adiante, com outros idiomas e continentes, aí sim posso te dar uma resposta melhor sobre isso.

Depois do primeiro país você já definiu o que ia fazer ou não tem roteiro?
Viajei por 3 meses na Europa e conheci 7 países, depois voltei pro Brasil. Tentei algumas oportunidades, mas a vontade de estar em lugares diferentes já me sufocava, então decidi ir pro Equador, por terra, parando em vários lugares no caminho, para economizar, pois sai do país com 600 doletas que acabaram no Peru. Mais precisamente em Cusco, e lá, consegui meu primeiro emprego, sem saber falar o idioma, e pensei: se posso fazer isso aqui, posso fazer em qualquer lugar do mundo. Vou dar a volta ao mundo!
O plano atual é:
Estou na Colômbia agora, em Medellin, trabalhando em um restaurante e vendendo luminárias em origami pra juntar dinheiro e ir para o México. De lá Cuba, Jamaica e alguma outra ilha maravilhosa do Caribe. Voltar ao México e ir baixando por terra até o Panamá. Do Panamá, buscar um barco para ir trabalhando a bordo até Fiji. Conhecer todas essas ilhas que podem sumir do mapa em alguns séculos. Conhecer toda Oceania, subir todo o sudeste asiático, conhecer as praias mais paradisíacas do mundo, toda Ásia. Sair pela Rússia para a Europa, passar por todos os países, inclusive Islândia, e por último, descer para Africa e fazer trabalhos voluntários. Vamos ver como se leva, voltar ao Brasil, e decidir em que lugar maravilhoso do mundo vou querer viver o resto da minha vida!

Qual a maior dificuldade em ficar mudando de país?
Não conhecer nada em absoluto, não saber o que vem pela frente. Buscar trabalho, nada é fácil em outro país que não é o seu, mas felizmente, em todo canto aparecem pessoas maravilhosas, que te ajudam a não ser assim tão duro.

Queria saber sobre a sensação de pertencimento a lugares que não necessariamente são os de origem.
Sempre fui muito bem recebida em todos os lugares onde estive. O brasileiro tem uma boa reputação em todo lado. Claro, que até você se acostumar com o lugar, saber o que esta acontecendo, demora um pouco, mas não é nada que você fique se sentindo um peixe fora d’água.

Qual o país que você mais gostou até o momento?
Não tenho como escolher um país, cada um tem uma coisa super especial, cidades ou historias lindas. Mas alguns dos meus favoritos são Portugal e Croácia.

Você se arrependeu em algum momento?
Jamais. Posso dizer que foi a melhor decisão que eu tomei na minha vida. Sou apaixonada pela minha vida, pelas coisas que vejo, os amigos que faço, e sei que sou completamente abençoada para seguir adiante com a aventura da minha vida.

Te enriqueceu pessoal e profissionalmente?
Com certeza. Profissionalmente você desenvolve habilidades que são extremamente importantes para o mercado corporativo. Aprendi dois idiomas e posso conversar fluentemente os dois em apenas um ano.
Pessoalmente, são tantas coisas que aprendi e aprendo todos os dias. É a humildade para com as pessoas. A viver com pouco e muitas vezes com quase nada. É ver que a bondade ainda existe, em muitas pessoas, e que o mundo não está perdido como a TV e muitas pessoas pensam. É admirar as coisas pequenas, cada amanhecer e entardecer e as cores. Dar valor não as coisas materiais, mas nas coisas que a mãe terra nos proporciona. Curtir uma cidade grande, mas querer ir cada vez mais longe.

Tem alguma dica pra quem tem vontade e que não sabe como começar?
Não existe fórmula mágica, ou receita de bolo. Cada pessoa vai viver e ver as coisas de uma forma diferente, a única coisa necessária para fazer qualquer coisa que seja, é ATITUDE.

Cite um livro que goste
Todos do Harlan Coben, Dan Brown… Confesso que agora viajando já não leio mas tanto, mas que sempre tento, e atualmente meu livro é Travessuras de la niña mala de Mario Vargas Llosa, meu segundo em Espanhol.

Resenha: Misery – Stephen King

/Editora Objetiva/Resenhas/

Editora: Objetiva
Autor: Stephen King
ISBN: 9788581052144
Edição: 1
Número de páginas: 326
Acabamento: Brochura
Classificação EDS:  100 de 100 pontos

Paul Sheldon descobriu três coisas quase simultaneamente, uns dez dias após emergir da nuvem escura. A primeira foi que Annie Wilkes tinha bastante analgésico. A segunda, que ela era viciada em analgésicos. A terceira foi que Annie Wilkes era perigosamente louca. Paul Sheldon é um famoso escritor reconhecido pela série de best-sellers protagonizados por Misery Chastain. No dia em que termina de escrever um novo manuscrito, decide sair para comemorar, apesar da forte nevasca. Após derrapar e sofrer um grave acidente de carro, Paul é resgatado pela enfermeira aposentada Annie Wilkes, que surge em seu caminho.

Minhas Impressões

O normal de um livro quando você começa a ler é ter uma ambientação, um histórico rápido dos personagens e até mesmo uma história secundária para dar uma “enrolada” na obra, deixando a parte emocionante mais pro final.

Eu já sabia por cima qual era o assunto do livro (sim, eu não havia lido este nem assistido o filme), mas fui pego de surpresa ao ver que já começava no meio do pagode =)

Paul Sheldon, escritor preferido de Anne Wilkes, sofre um acidente em meio a neve e tem a “sorte” de ser encontrado pela fã número um dele. Até aí tudo bem, pois ele não se lembrava muito bem como fora parar ali, porém desde o início já ficava a dúvida de quanto tempo ele passara naquela cama. Anne é extremamente hospitaleira e começou a lhe contar como o tirou do carro e como vem cuidando dele.

A coisa começa a ficar ruim quando Paul passa a duvidar do motivo de estar sendo mantido numa cama em uma casa ao invés de ser levado para o hospital, além claro, do episódio em que Anne surta ficando claro que essa mulher tinha um parafuso solto e isso não era nada bom.

A resposta de Bernstein lhe parecera frívola, cruel e incompreensível: Muitos deles tinham pianos. Nós judeus gostamos muito de pianos. Quando se tem um piano, é difícil pensar em mudar.

Viciado em codeína (não, esse remédio não existe), Paul passa a depender de Anne para alimentar seu vício e fazer a dor sumir. A dependência é tão grande no início que ele aceita fazer coisas extremamente humilhantes somente para satisfazer o desejo de Anne e conseguir mais dois comprimidos.

Evitando contar muita coisa, e olha que eu gostaria de discorrer muito sobre essa história… Anne obriga Paul a escrever um novo livro somente para ela. Ninguém mais teria um livro sobre a Misery (personagem fictício criado por Paul Sheldon, daí o nome da obra em inglês) e não havia a mínima possibilidade de recusa.

A história é extremamente angustiante. É incrível como King conseguiu manter um livro com apenas dois personagens numa casa, em que a maior parte da história se passa dentro do quarto de hospedes, e ainda assim deixá-lo tão atrativo. Quando comentei sobre o fato de o livro já começar no meio do pagode, foi justamente por achar que iniciar já revelando boa parte do enredo, poderia torná-lo enfadonho, mas graças a Deus não foi o caso.

Em alguns momentos eu senti a dor do Paul, principalmente na hora em que ele leva uma porrada no joelho (desculpe, tive que contar essa parte). Em outros passei raiva pelo fato de Anne sempre estar um passo à frente e sofri de ansiedade pelo medo que Paul demonstrava quando estava fazendo alguma coisa escondida.

Estou mais perto da morte do que jamais estive na vida, pensou ele, porque ela realmente fala sério. Essa puta fala sério.

Se vocês acompanham minhas resenhas dos livros do King, sabem que sou extremamente fã do mesmo (não é à toa que tenho uma tatuagem da Torre Negra), fiquei muito feliz em ver o quanto ele ainda pode me surpreender em suas obras.

Recomendo efusivamente a leitura deste, principalmente se você tem vontade ou se escreve alguma coisa. Pela vida do Paul Sheldon, você consegue vislumbrar como King se organiza pra escrever um livro. Além de perceber também que não é necessária uma trama gigantesca com cem personagens (e cada um morrendo no final de um capítulo dos mil livros da série –` ) para tornar o livro interessante.

Caso você não tenha lido, nem assistido o filme, como eu, faça-o e garanto que não se arrependerá.

Comentando rapidamente sobre o filme. Como sempre existem algumas mudanças do livro pro filme, porém eu chutaria que o filme foi uns 90% fiel e não deixou nada a desejar. Não é à toa que a atriz que interpretou Anne Wilkes ganhou o Oscar daquele ano. Aqueles olhos vazios foram sensacionais =)

Ainda era bom ter terminado. Era sempre bom ter terminado. Bom ter produzido, ter causado a existência de alguma coisa.

Até a próxima.

Novidade: Antologia de Contos – Maurício Coelho

/Novidades/

Pessoal, pra quem escreve contos como eu, tenho uma excelente oportunidade para vocês. Uma antologia de contos!

Maurício Coelho é o organizador das antologias. Nasceu em Belém do Pará em 1992. Graduado em Licenciatura em Ciências Biológicas, publicou a tradução de The Nursery Alice (A Cuidadosa Alice), de Lewis Carroll. Publicou também um poema na antologia Concurso Novos Poetas 2014, além de um conto na coletânea Horas Sombrias. Também publicou uma antologia solo de histórias chamada Fogo Fátuo.

Ele está organizando duas novas antologias que tem como temas “Seres Amazônicos” e “Épicos Homéricos”. Segue a sinopse das duas:

Seres Amazônicos
O coração de uma floresta guarda mistérios que nenhum ser humano jamais seria capaz de imaginar. Longe da luz das cidades e do barulho dos carros, lendas sobre os mais diversos assuntos divertem e assustam os moradores desse mundo selvagem. Quais são os mistérios que cercam uma floresta intocada? Isso você descobre na antologia Seres Amazônicos

Épicos Homéricos
A mitologia grega está presente em vários costumes da sociedade atual. Sua influência vai desde nossos esportes até nome de ossos humanos e nomes científicos de espécies. Seus conjuntos de mitos são inspirações para dezenas de filmes ao longo do tempo. No entanto, esse é um assunto insaciável e inesgotável. A mitologia grega abre espaço para a antologia Épicos Homéricos, em homenagem a um dos maiores poetas da Antiguidade.

Para participar dessa antologia, dê uma lida no edital abaixo:

Resenha: Primavera de cão – Patrick Modiano

/Editora Record/Resenhas/

Editora: Record
Autor: Patrick Modiano
ISBN: 9788501103062
Edição: 1
Número de páginas: 112
Acabamento: Brochura
Compre: Amazon
Classificação EDS:  100 de 100 pontos

O mais misterioso livro de Patrick Modiano. Aos dezenove anos, numa manhã da primavera de 1964, o narrador encontra o fotógrafo Francis Jansen. Ele trabalha em Paris para uma revista norte-americana, foi amigo de Robert Capa, encontrava-se com uma mulher chamada Colette Laurent que agora o procura incessantemente, guarda todas as suas fotos em três maletas, e desaparece sem deixar vestígios.
Homem evasivo e misterioso, Jansen faz parte da galeria de tipos que, como só Patrick Modiano é capaz de descrever, prefere o silêncio e as reticências às palavras.
O narrador retorna a bairros afastados, tenta reencontrar pessoas perdidas, e busca romper a camada de silêncio e de amnésia ao seu redor. As silhuetas lhe escapam; depois de trinta anos, os rostos já não estão nítidos. Ele deseja recuperar o passado, para que se torne algo além de fragmentos distantes e ausentes. Tudo lhe causa uma sensação de irrealidade. E é na busca do passado, de Francis Jansen e de tantos outros, que sua identidade é rememorada.

Minhas Impressões

O interesse na leitura do livro partiu da vontade de tomar conhecimento de alguma obra do escritor ganhador do prêmio Nobel de Literatura de 2014. Tive uma grata surpresa, pois o livro é sutil e disparador de memória.

A história é leve e conta as memórias do narrador enevoadas pelo tempo e sua amizade primaveril com o fotógrafo misterioso Francis Jansen. Encontro que deixou marcas e aquela sensação suspensa de uma relação que simplesmente sumiu no ar.

Jansen tirava fotos com sua Rolleiflex, mas eu quase não notava… Certo dia, quando eu me assombrei com essa fingida desenvoltura, ele me disse que era preciso “capturar as coisas com doçura e em silêncio senão elas se retraem”

Jansen é francamente um grande e sensível profissional que carrega consigo a dor e a saudade pela perda precoce de um amigo, de seu amor, e demonstra apesar de continuar a fotografar, ter perdido o encantamento pela vida. Mostra sabedoria em alguns exemplos, sensibilidade de artista e pouco conforto com as relações pessoais.

A fotografia permeia toda a obra e é parte da poesia silenciosa do livro, seja na vivência entre os dois amigos, na descrição da organização primorosa de todo o acervo do fotógrafo realizada pelo narrador, na projeção de que o jovem possa alcançar o sonho de ser escritor ou na forma em que os cenários parisienses são apresentados.

No decorrer da leitura, nas entrelinhas e, apesar de não existir a promessa, ficamos aguardando aquela boa e velha redenção que nos conforta, mas a resposta virá de maneira surpreendente sugerindo que a estranheza de alguns momentos de nossa vida esteja ligada a um duplo que morreu em nosso lugar.

Não se preocupe, meu jovem… Eu também costumava cair em buracos negros com frequência… Eu não podia prever o futuro.

A cenografia parisiense contemporânea e de outrora, a biografia de Jansen, o próprio narrador, o silêncio e alguns mistérios deixam a história numa suspensão interessante que mobiliza a continuidade da leitura. Vale!

Descobri posteriormente que a obra fecha uma trilogia que, garante o autor, pode ser lida de maneira absolutamente independente e sem prejuízo. Os títulos anteriores são Remissão da Pena e Flores da Ruína.

Review: Mad Max – Estrada da fúria – George Miller

/Review/

mad-max-fury-road-estante-dos-sonhosDiretor: George Miller
Elenco: Tom Hardy, Charlize Theron, Nicholas Hoult, Hugh Keays-Byrne, Josh Helman, Nathan Jones, Zoë Kravitz
Produção: Bruce Berman, Graham Burke, Christopher DeFaria, Genevieve Hofmeyr, George Miller, Doug Mitchell, Steven Mnuchin, Holly Radcliffe, Iain Smith, P.J. Voeten
Roteiro: George Miller, Brendan McCarthy, Nick Lathouris
Duração: 120 min.
Ano: 2015
País: Austrália / EUA
Gênero: Si-Fi, Ação, Aventura

Após ser capturado por Immortan Joe, um guerreiro das estradas chamado Max (Tom Hardy) se vê no meio de uma guerra mortal, iniciada pela Imperatriz Furiosa (Charlize Theron) na tentativa se salvar um grupo de garotas. Também tentanto fugir, Max aceita ajudar Furiosa em sua luta contra Joe e se vê dividido entre mais uma vez seguir sozinho seu caminho ou ficar com o grupo.

Minhas impressões

Desde que eu vi o trailer do Mad Max, fiquei ansioso pra assistir o filme. Já dá pra ter uma noção da expectativa. Ok que trailer é só pra vender, mas uma coisa eu te afirmo: você vai se surpreender…

Sempre é complicado reviver uma franquia. Alguns vão discordar falando que não se trata de uma franquia, porém só o fato de usar o nome Mad Max, vai remeter a pessoa (quem assistiu) ao antigo Mad Max que foi épico para seu tempo. Daí vem a responsabilidade do diretor em fazer um trabalho bom. Fui assistir o filme sem esperar muita ligação com os filmes antigos (apesar que eu não lembrava muito dos antigos), portanto minha expectativa é que o filme fosse algo fo**.

Substituir o Mel Gibson no papel de Max deve ter sido um filtro para a escolha do ator, e também para o ator aceitar. Porém Tom Hardy arrebenta no papel e deixa bem claro o motivo do Mad. Charlize Theron eu não preciso falar nada né? Incrível como sempre, com cabelo raspado e muita atitude. Você nem lembra do rosto delicado que ela tem =] Uma boa surpresa, e que provavelmente levará a estatueta de melhor coadjuvante, Nicholas Hoult vem como Nux. Um cara persistente que muda o rumo do filme. Claro que não vou revelar nada…

A locação usada para o filme não podia ser melhor. Um deserto inóspito dá pano para o mundo pós apocalíptico do filme e deixa a trama mais difícil. Assim como o teaser da Warner mostra, 85% mais ou menos do filme, foi todo feito de verdade, ou seja, pouca coisa foi usada de efeitos especiais. As perseguições, batidas e brigas foram todas ensaiadas, o que deixou o filme, como posso dizer… Fo** rs

Enfim. O filme pra mim, é um grande concorrente à melhor filme do ano. Eu sei que vem o Star Wars por aí, mas superar este vai ser um pouco difícil. Recomendo assistir esse filme depois de assistir os dois primeiros, só pra você sair da sala de cinema comentando com sua companhia e parecendo mais cool que os outros rsrs, mas se quiser ir assistir direto, sem problemas. Ainda assim você vai entender o filme. Outra coisa, assista mais de uma vez o filme, vale à pena.

Até mais e pls, deixe um comentário e faça um blogueiro feliz =)
 

Resenha: Da minha Terra à Terra – Sebastião Salgado

/Editora Paralela/Resenhas/

Editora: Paralela
Autor: Sebastião Salgado e Isabelle Francq
ISBN: 9788565530569
Edição: 1
Número de páginas: 176
Acabamento: Brochura
Classificação EDS:  100 de 100 pontos

As fotos de Sebastião Salgado são famosas no mundo inteiro. Suas imagens em preto e branco de trabalhadores e refugiados já ganharam inúmeros prêmios e são reconhecidas pela profunda dignidade que despertam no interlocutor. Em 2013, depois de oito anos de reportagens, Salgado expôs pela primeira vez o celebrado Projeto Gênesis, que deu origem ao livro de mesmo nome. Em uma jornada fotográfica por lugares intocados, onde o homem convive em harmonia com a natureza, o fotógrafo pôde declarar seu amor à Terra, em sua grandeza e fragilidade. Mas apesar das imagens de Sebastião Salgado já terem dado a volta ao mundo, sua história pessoal, as raízes políticas, éticas e existenciais de seu engajamento fotográfico permaneciam ignoradas.
Em Da Minha Terra à Terra, é seu talento como narrador que surpreende. A autenticidade de um homem que sabe como poucos combinar militância, profissionalismo, talento e generosidade.

Minhas Impressões

Após assistir ao documentário “O Sal da Terra” e ficar encantada com o que foi mostrado da vida e obra de Sebastião Salgado, resolvi dar uma olhada no livro “Da minha terra à Terra”.

Escrito em primeira pessoa e em parceria com a jornalista Isabelle Francq, o livro é leve e conta a trajetória pessoal e profissional do fotojornalista numa sequência gradativa que vai surpreendendo e consolidando o entendimento da conquista de uma notoriedade planetária e quase unânime.

Sebastião Salgado conta a infância bucólica em Minas Gerais, seu desejo de conhecer além das fronteiras, o gosto por viajar, a formação inicial em Economia, sua militância e partida para França em exílio durante a ditadura militar.

Minha fotografia não é uma militância, não é uma profissão. É minha vida. Adoro fotografia, fotografar, estar com a câmera na mão, olhar pelo visor, brincar com a luz. Adoro conviver com as pessoas, observar as comunidades – e agora também os animais, as árvores, as pedras. Minha fotografia é tudo isso, e não posso dizer que são decisões racionais que me levam a olhar para isto ou aquilo. É algo que vem de dentro de mim. O desejo de fotografar está constantemente me levando a recomeçar. A buscar outros lugares. A procurar outras imagens.A tirar novas fotografias, ainda e sempre.

A família é retratada de maneira carinhosa e com potência muito grande para inspiração e suporte de Salgado. A mulher Lélia, companheira de vida, é editora dos livros e organizadora das grandes exposições do fotógrafo, o filho Juliano é cineasta e Rodrigo, portador da síndrome de Down, é apontado pela entrada de todos em um outro nível de percepção: “…Antes, eu não via as pessoas com deficiência. Aprendi a vê-las.”

Na história profissional, uma das observações mais interessantes é o surpreendente processo de criação, planejamento, pesquisa, execução e apresentação final de cada um dos projetos, cuja duração aproximada é de incríveis seis anos. Um período de entrega total, idas e vindas, registros, reflexões, espera, entendimento da singularidade e profundo respeito do que está sendo retratado.

A fotografia é uma escrita tão forte porque pode ser lida em todo o mundo sem tradução.

Nos capítulos que abordam os projetos “Gênesis”, “Outras Américas”, “Êxodos”, “Trabalhadores” e “Terra” encontramos uma aproximação com os bastidores dos trabalhos e sentimos o quanto de verdade e entrega existe em cada um deles.
Em uma passagem mais técnica, apresenta sua opção pelo preto e branco, suas aventuras para garantir o trânsito dos filmes num mundo de aeroportos com equipamentos que podem danificá-los, quantidade de fotos realizadas, qualidade das revelações, das lentes e a passagem do analógico para o digital na fotografia.

Fica evidente que não é, talvez nem tenha a pretensão, a biografia definitiva do percurso vivido até aqui, mas é um registro interessante e curioso de uma vida dedicada ao ato corajoso de descobrir o que se ama e fazê-lo especialmente bem. Merece a leitura para reforçarmos o encantamento por Sebastião Salgado, pela fotografia, pela Humanidade e pela Terra.

Resenha: A música do silêncio – Patrick Rothfuss

/Editora Arqueiro/Resenhas/

Editora: Arqueiro
Autor: Patrick Rothfuss
ISBN: 9788580413533
Edição: 1
Número de páginas: 144
Acabamento: Brochura
Compre: Amazon
Classificação EDS:  100 de 100 pontos

Debaixo da Universidade, bem lá no fundo, há um lugar escuro. Poucas pessoas sabem de sua existência, uma rede descontínua de antigas passagens e cômodos abandonados. Ali, bem no meio desse local esquecido, situado no coração dos Subterrâneos, vive uma jovem. Seu nome é Auri, e ela é cheia de mistérios.
A música do silêncio é um recorte breve e agridoce de sua vida, uma pequena aventura só dela. Ao mesmo tempo alegre e inquietante, esta história nos oferece a oportunidade de enxergar o mundo pelos olhos de Auri. E nos dá a chance de conhecer algumas coisas que só ela sabe…

Minhas Impressões

Desde o início, quando você pega o livro e lê a sinopse, o autor avisa que esse livro não é um livro comum. Que todos aqueles pontos que se espera que um livro possua, não existe. Outro aviso é que esse livro não se trata de uma continuação da história do nosso querido Kvothe e sim um livro sobre Auri.

Se você não sabe quem é Auri, recomendo muito que você não leia este e vá ler primeiro O Nome do Vento e O Temor do Sábio (ambos com resenha aqui no blog), para entender melhor como ela se encaixa nesse mundo.

Por mais que o autor tenha avisado sobre a excentricidade do livro, fiquei curioso para lê-lo.

Realmente a composição do livro não é comum. O que se espera de um livro como esses seria uma ambientação, um objetivo, com começo, meio e fim. Ah sim, e um final que poderia ter ou não um moral. Ok que eu não sou editor de livros, mas creio que essa seja uma composição básica de um livro.

Pois bem, encaixo esse livro mais como um livro de poesia do que como literatura fantástica. Vou tentar explicar melhor o motivo.

Fica bem claro no livro que Auri não é uma garota normal. Não, não estou falando que ela é doida. Conforme você vai lendo, você percebe nela algo superior. Algo que comumente não percebemos. Auri sabe qual o papel dela nesse no mundo (no caso, o mundo do livro). Todas as suas ações são planejadas para não afetar o meio em que ela vive. Acho que o mais próximo do livro que posso expressar é que o livro é uma dança, com passos precisos e elegantes…

Não sei bem se consigo exprimir a mensagem do livro. Creio que nem seja essa a intenção do autor, porém a mensagem que ele passou pra mim é que tudo é mais complexo do que parece. Um ato meu pode afetar diversas outras pessoas e normalmente não prestamos atenção nisso.

Enfim, o livro não é para leitores casuais. É para o tipo de leitor assíduo, que não desiste da leitura, pois a princípio parece cansativo e até mesmo desconexo, mas a experiência é gratificante e a mensagem final revigorante. Recomendo a leitura, é bom sair da rotina de vez em quando.

Até a próxima! Comentem e deixem um blogueiro feliz =)

Resenha: O Iluminado – Stephen King

/Editora Suma de Letras/Resenhas/

Editora: Suma de Letras
Autor: Stephen King
ISBN: 9788581050485
Edição: 2
Número de páginas: 288
Acabamento: Brochura
Compre: Amazon
Classificação EDS:  100 de 100 pontos

O romance, magistralmente levado ao cinema por Stanley Kubrick, continua apaixonando (e aterrorizando) novas gerações de leitores. A luta assustadora entre dois mundos. Um menino e o desejo assassino de poderosas forças malignas. Uma família refém do mal. Nesta guerra sem testemunhas, vencerá o mais forte.
Em O Iluminado, quando Jack Torrance consegue o emprego de zelador no velho hotel, todos os problemas da família parecem estar solucionados. Não mais o desemprego e as noites de bebedeiras. Não mais o sofrimento da esposa, Wendy. Tranquilidade e ar puro para o pequeno Danny livrar-se das convulsões que assustam a família.

Minhas Impressões

Ultimamente comecei a ler alguns livros clássicos que eu sempre vinha deixando de lado para ler livros “da moda”. Muito disso pra ter a resenha aqui no blog. Um desses livros clássicos que eu li foi O Iluminado.

Não preciso nem falar muito sobre o autor certo? Stephen King é daquele tipo de homem que seu nome ficará gravado na história assim como Júlio César. Eu preciso sempre me policiar pra não ler somente os livros dele. Tenho todos os ebooks dele e a cada dia tenho aumentado minha coleção dos livros físicos. A cada dois, três livros que eu leio, leio um dele.

Até hoje não assisti o filme, por isso resolvi ler o livro primeiro, e que livro. King é um dos únicos autores que realmente conseguem me deixar com medo lendo um livro. Se algum dia eu fosse dormir sozinho em casa eu não lia o livro à noite =)

O Iluminado é o típico livro que reúne algum dos medos mais comuns que temos, em um local totalmente possível de se acontecer. Quem nunca imaginou o que já aconteceu em um hotel antigo? Ou melhor quem já ouviu falar daquele prédio que pegou fogo em São Paulo e matou várias pessoas (Edifício Joelma) e nunca imaginou que o mesmo possa ser assombrado? Existem até histórias de moradores ouvindo gritos de pessoas nas escadas… King consegue pegar essa essência de “medo comum” e transcrever isso de uma forma apavorante.

O hotel que estamos falando aqui é o Hotel Overlook que fica numa das montanhas isoladas perto de uma cidade chamada Sidewinder. Esse hotel fecha durante todo o inverno, uma vez que as tempestades tornam impossível a ida e vinda desse hotel. Portanto, para manter o hotel bem cuidado é necessário que alguém tome conta dele durante o tempo que ele fica fechado. Dessa vez a família que fora contratada para passar seis meses zelando pelo hotel, foram os Torrance. Um detalhe é que o zelador anterior havia matado sua família, supostamente pelo isolamento…

Mesmo o filho dos Torrance, Danny, tendo um pressentimento horrendo sobre a ida deles para esse hotel, eles foram. Logo que eles ficaram sozinhos o hotel começa a revelar suas verdadeiras intenções com a família. O hotel parecia reagir à Danny como um brinquedo a bateria recebendo pilhas novas e ganhando vida.

Coisas estranhas começaram a acontecer em toda parte. Ruídos, movimentos, pessoas falando. Jack e Wendy no início achavam que era coisa da cabeça deles, ou da cabeça de Danny, mas a coisa começou a ficar séria quando um evento extremamente nítido aconteceu pra família inteira.

Do nada, enquanto a família estava no quarto, o elevador começa a funcionar. Subindo e descendo, com vozes e músicas vindo de dentro. Jack sai para ver o que está acontecendo, achando se tratar só de um curto circuito, Wendy logo atrás percebe algo dentro do elevador e arriscando-se a entrar mesmo com o elevador parado na metade do andar, ela pega uma máscara de dentro do elevador!

O hotel vai se tornando cada vez mais forte e a influência dele sobre o pai de Danny se tornando cada vez mais inevitável. Jack começa a criar uma obsessão pelo hotel e fica cada dia mais disposto a fazer tudo que o hotel lhe pede. Até mesmo entregar sua mulher e filho.

Bom vou parar por aqui pra evitar estragar o final para quem não leu ainda. Logo que comecei a escrever essa resenha estava na verdade escrevendo um resumo do livro, mas pra não ficar grande demais e não estragar a experiência de quem não leu, vou deixar vocês curiosos pelo final =)

Não preciso nem dizer que o livro é excelente. Qual do Stephen King não é? (Sim puxo saco mesmo, pois o cara é incrível). Se você não leu até hoje, pare o que está fazendo agora e leia-o =D. Ah, detalhe que depois que você ler, nunca mais um hotel parecerá somente um hotel rs. Ainda mais se esse hotel for gigante como o Sofitel Copacabana =!

Até e por favor comente. Deixe um blogueiro feliz =}