Resenha: Vittorio, o Vampiro – Anne Rice

/Editora Rocco/Resenhas/

Editora: Rocco
Autor: Anne Rice
ISBN: 9788532511546
Edição: 1
Número de páginas: 207
Acabamento: Brochura
Compre: Amazon
Classificação EDS:  100 de 100 pontos

Sim sou um vampiro, como já disse, sou uma coisa abjeta que se alimenta da vida mortal. Existo com tranquilidade, relativamente contente, na minha terra natal, nas sombras escuras do meu castelo. E Ursula está a meu lado, como sempre, e quinhentos anos não chega a ser tanto tempo para um amor tão forte quanto o nosso.

Minhas impressões

“Tinha dezesseis anos quando morri. Tenho boa altura, bastos cabelos castanhos que batem nos meus ombros, olhos cor de avelã demasiado vulneráveis para se manterem fixos por muito tempo, dando-me uma aparência de certa forma andrógina, e um nariz desejavelmente afilado com narinas discretas, e uma boca de tamanho médio que não é voluptuosa nem sovina. Um menino bonito para a época. Não estaria vivo hoje se não o tivesse sido.”

Vittorio, filho de um senhor feudal, vive em um castelo tranquilo com sua família e os serviçais das aldeias próxima ao castelo e leva uma vida boa voltada aos estudos e admiração das artes daquele tempo. Durante um sonho Vittorio se vê segurando as cabeças de seus irmãos, mal ele sabia que isso não seria somente um sonho.

Seu pai, um homem sensato se vê encurralado por uma antiga dívida. Tão antiga quanto o pai de seu pai, que há muito não era paga. Sem entender Vittorio tenta descobrir que dívida era essa e porque seu pai demonstrava tanto medo ao encontrar-se com um homem misterioso no meio da noite. Foi durante a noite seguinte que Vittorio vê cada familiar seu ser mutilado por demônios que ele jurou matar. Por misericórdia de um desses demônios ele conseguiu sobreviver e fugir para outra cidade. Santa Madallana.

Santa Madallana, uma cidade pequena e muito próspera, com ruas limpas, pessoas saudáveis e igrejas grandes onde ele poderia buscar abrigo. Em busca de abrigo e compreensão, ele contou tudo que vira a um jovem padre dominicano que fica irrequieto e não sabe o que dizer à Vittorio, pedindo e ao mesmo tempo expulsando Vittorio da cidade. Desnorteado com a expulsão do padre em quem ele confiara para contar o que acontecera com sua família, ele se tornou mais obcecado e resolveu descobrir por si só o que estava acontecendo com aquela cidade tão próspera e sem nenhuma mazela.

Andando pela cidade ouviu histórias estranhas e conversas suspeitas sobre uma suposta irmandade, monges que levavam seu doentes e deficientes para um hospital para trata-los. Até mesmo os que tinham a peste! O que era realmente muito estranho. Advertido diversas vezes para não ir para o norte Vittorio fez justamente o que não devia. Não retornou à noite para sua estalagem e se escondeu em uma antiga torre. Quando o sono já ia lhe vencendo ele viu os supostos monges chegando na cidade para levar seus doentes. Já se preparando para segui-los, foi surpreendido por um dos “monges” atrás dele. Tudo a seguir foi num turbilhão. Foi capturado e carregado. Parecia estar voando! Com sua adaga escondida conseguiu apunhalar o monge nas costas diversas vezes e com tristeza percebeu que realmente estava voando. Astucioso como era, mesmo desorientado e com força menor conseguiu vencer esse monge, mas era tarde demais, toda a congregação estava em sua volta. Ainda não foi morto, por misericórdia do mesmo demônio que ele vira em outra noite.

Julgado pela Corte do Graal de Rubi foi condenado às masmorras para enlouquecer com as poções que lhe eram servidas. Depois de muito tempo de cativeiro foi largado em Florença desacordado. O que os membros da Corte não esperavam era que ele fosse tão sagaz a ponto de conseguir se desfazer dos efeitos das poções. Cada vez mais perto da verdade Vittorio começou a procurar vestígios desses demônios e o que eles representavam.

…que o próprio fato da mortalidade corporal do homem é devido à compaixão de Deus, que não nos conservaria para sempre presos à miséria desta vida. A crueldade dos demônios não foi julgada merecedora dessa compaixão, e na miséria de sua condição com uma alma sujeita a paixões, não lhes foi concedido o corpo mortal, que o homem recebeu, e sim um corpo eterno.

E assim mais uma vez ele arquitetou sua vingança. Agora auxiliado por uma força divina! Mesmo sabendo que trairia o acordo divino que fizera, Vittorio não conseguiu se vingar de sua amada e se entregou ao amor dela, transformando-se em um vampiro.

Amaldiçoado, Vittorio vinga-se da cidade de Santa Madallana que se viu desgraçada pelo pacto que haviam feito com os demônios da corte. Porém sua maldição não acaba somente aí. Vittorio recebe o “poder” de ver a alma de um ser humano. Uma aura dourada que todo ser humano carrega consigo, mas esse “poder” foi lhe dado como um castigo, para que a cada vida que ele tire, possa ver essa luz se extinguindo…

Anne Rice inicia este livro com um objetivo muito difícil; não se relacionar com nenhum de seus outro livros. E ela consegue isso com louvor. Por mais que o livro se passe em Florença e em seus arredores, a história toda é voltada para a vida de Vitorio e sua luta contra a transformação.

Mesmo sendo um propósito difícil, Anne Rice consegue desenrolar uma história que em nenhum momento lembra os outros personagens, mostrando assim que existe muito chão para percorrer antes que este assunto canse. O livro instiga o leitor a cada página, fazendo citações históricas sobre florença enquanto acompanhamos a luta de Vittorio para se vingar.

Enfim, o livro é excelente e vale a pena ser colocado em sua estante após ser lido. Desculpe a péssima resenha acima, mas ando meu relapso para escrever =/. Deixem seus comentário =)

Photo by Carlos Ibáñez on Unsplash