Resenha: Os Julgamentos de Nuremberg – Paul Roland

/Editora M Books/Resenhas/

Editora: M Books
Autor: Paul Roland
ISBN: 9788576802228
Número de páginas: 208
Acabamento: Brochura
Classificação EDS: 100 de 100
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Essa é a história dos julgamentos de Nuremberg o mais importante processo criminal já realizado, que criou o princípio da responsabilidade individual de acordo com as normas do direito internacional e que encerrou a Segunda Guerra Mundial, dando início à reconstrução da Europa. Os nazistas eram um grupo de criminosos, assassinos, desequilibrados, sádicos e burocratas medíocres unidos apenas por sua filosofia de ódio e pelo amor à espoliação de bens alheios. À medida que fortaleciam seu poder, ma is monstruosos eram seus crimes.

Minhas impressões

Há anos que Os Julgamentos de Nuremberg estava na minha lista, mas pelo valor e outros que estavam na frente, demorei a ler. Demorei também a terminar de ler, mais ou menos seis meses. É um assunto super pesado e o livro retrata um julgamento de mais de dez meses.

A omissão da culpa desses homens significaria o mesmo de dizer que não houve guerra, nem assassinatos ou crimes.

Resenha: Necrópole – Boris Pahor

/Bertrand Brasil/Resenhas/

Editora: Bertrand Brasil
Autor: Boris Pahor
ASIN: 9788528615821
Edição: 1
Número de páginas: 294
Acabamento: Brochura
Classificação EDS: 100 de 100 pontos
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Uma obra-prima da literatura do Holocausto Quando o fluxo da memória começa a correr. e as lembranças voltam à tona com sua carga de dor e comoção. Campo de concentração de Natzweiler-Struthof. nos Vosges. Alemanha. O homem que. numa tarde de verão. chega com um grupo de turistas não é um visitante qualquer. mas Boris Pahor. um ex-prisioneiro que. depois de muitos anos. volta ao lugar onde esteve preso. O autobiográfico Necrópole traz as lembranças que surgem diante das barracas e do arame farpado transformados em museu e centro de visitação. Escrito numa linguagem crua que não faz concessões à autocomiseração. o livro marca por seu texto forte e. muitas vezes. violento. que descreve. em mínimos detalhes. atrocidades como a tortura de presos e a dissecação de cadáveres. Uma das características de Pahor é utilizar-se de parágrafos longos. que deixam o leitor sem ar. angustiado. como o próprio autor se sentia nos anos em que viveu no campo. Pahor. durante a Segunda Guerra Mundial. colaborou com a resistência antifascista eslovena e foi deportado para os campos de concentração nazistas. experiência que o marcou profundamente e da qual se encontram resquícios na maior parte da sua extremamente rica produção literária. Mais do que um escritor. uma lenda viva.

Minhas impressões

É fácil perceber que sou fascinado pela história da segunda guerra mundial, haja visto a quantidade de livros que li sobre, e a quantidade de resenhas.

Entenda fascínio como curiosidade, não como administração. Assim como muitos outros eu tento achar alguma razão ou explicação para o que aconteceu, pois não se trata somente da natureza humana. Não se trata só de medo de uma população em não obedecer seu líder…

Entendo que todo o histórico da primeira guerra, o assinado do tratado de Versalhes que responsabilizou a Alemanha por todos os custos da primeira guerra e tirou parte de seu território, a crise econômica do país, o carisma de Hitler e as propagandas de Goebbels e por fim todo o antissemitismos arraigado na população contra os judeus e outras nações culminaram em tudo que aconteceu. Porém ainda assim não há uma explicação concreta.

Resenha: MAUS – A História de um Sobrevivente – Art Spiegelman

/Editora Companhia das Letras/Resenhas/

Editora: Companhia das Letras
Autor: Art Spiegelman
ASIN: 9788535906288
Edição: 1
Número de páginas: 296
Acabamento: Brochura
Classificação EDS: 100 de 100 pontos
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Maus (‘rato’, em alemão) é a história de Vladek Spiegelman, judeu polonês que sobreviveu ao campo de concentração de Auschwitz, narrada por ele próprio ao filho Art. O livro é considerado um clássico contemporâneo das histórias em quadrinhos. Foi publicado em duas partes, a primeira em 1986 e a segunda em 1991. No ano seguinte, o livro ganhou o prestigioso Prêmio Pulitzer de literatura.
A obra é um sucesso estrondoso de público e de crítica. Desde que foi lançada, tem sido objeto de estudos e análises de especialistas de diversas áreas – história, literatura, artes e psicologia. Em nova tradução, o livro é agora relançado com as duas partes reunidas num só volume.

Minhas impressões

Sim é um livro sobre o Holocausto, MAUS não é mais do mesmo em relação ao tema, é uma obra importante porque aborda sinceramente, pela via das questões familiares dos sobreviventes, as heranças de um período tão tenebroso. É crucial que ainda mais seja escrito, filmado, cantado e divulgado não importando a mídia ou a linguagem para que não esqueçamos e para que nunca mais se repita algo do tipo na História da Humanidade.

A obra é autobiográfica e vai permear a história do próprio autor, Art Spiegelman, enquanto filho de um pai, Vladek Spiegelman, judeu polonês que sobreviveu aos mais diferentes períodos e sofrimentos impostos pela Segunda Guerra Mundial.

História em Quadrinhos de primeira qualidade com traços característicos do artista, desenhado e escrito em preto e branco, a partir do relato do pai é uma opção interessante pela marcação das personagens: os nazistas são desenhados como gatos, os poloneses aparecem retratados como porcos, os norte americanos como cachorros e os judeus como ratos numa representação criativa dos papeis de cada um naquele momento e em uma inspiração na cadeia alimentar.

A história da Guerra é narrada de pai para filho que registra tudo em um gravador nas sessões de entrevista que, como não poderia deixa de ser, esbarram em feridas, cicatrizes, situações que beiram a comicidade tamanha tragédia embutida. Art entra em crise em vários momentos pensando na legitimidade do que está fazendo, na exposição de um pai que sobreviveu à sua maneira e que ficou com sequelas muito sérias que dificultaram sua vida no momento pós-guerra, marcas que magoam e chegam a envergonhar.

“(Suspiro) É muito esquisito tentar reconstruir uma realidade pior do que os meus sonhos mais pavorosos. E ainda por cima em Quadrinhos! Acho que estou dando um passo maior do que as pernas, talvez seja melhor deixar pra lá.

Da triste odisséia vivida é muito bonito o modo como o pai procurou desesperadamente garantir a sobrevivência da mulher, existe ali uma história de amor singular e que merece destaque. Anja era “cuidada” de alguma maneira e estimulada a ter alguma esperança ou a simplesmente continuar vivendo.

Meu pai a encontrou ao chegar do trabalho…os pulsos cortados e um vidro de comprimidos vazios.

Não foram poucos os momentos em que interrompi a leitura para desfazer o nó na garganta diante do registro do pai pelas atrocidades do período e das estratégias para continuar vivendo e do filho em compreender e exercitar a compaixão para conviver com alguém com tanto resquício de sofrimento.

O livro foi publicado em duas fases, a primeira em 1986 e a segunda em 1991. A edição lida foi a lançada pela Cia das Letras – Quadrinhos na CIA – já em volume único e com o selo de obra vencedora do prêmio Pulitzer.

Tanta coisa eu nunca vou conseguir entender nem visualizar. É que a realidade é complexa demais para ser contada em quadrinhos.

MAUS é um livro forte, ácido, triste, emocionante e que merece uma leitura generosa de suas páginas. É comovente sem ser piegas, trata de um tema pesado que, assim como a escravidão em terras brasileiras, gostaríamos de esquecer mas que temos a obrigação de revisitar, compartilhar e problematizar com as novas gerações.

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