Resenha: Misery – Stephen King

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Editora: Objetiva
Autor: Stephen King
ISBN: 9788581052144
Edição: 1
Número de páginas: 326
Acabamento: Brochura
Classificação EDS:  100 de 100 pontos

Paul Sheldon descobriu três coisas quase simultaneamente, uns dez dias após emergir da nuvem escura. A primeira foi que Annie Wilkes tinha bastante analgésico. A segunda, que ela era viciada em analgésicos. A terceira foi que Annie Wilkes era perigosamente louca. Paul Sheldon é um famoso escritor reconhecido pela série de best-sellers protagonizados por Misery Chastain. No dia em que termina de escrever um novo manuscrito, decide sair para comemorar, apesar da forte nevasca. Após derrapar e sofrer um grave acidente de carro, Paul é resgatado pela enfermeira aposentada Annie Wilkes, que surge em seu caminho.

Minhas Impressões

O normal de um livro quando você começa a ler é ter uma ambientação, um histórico rápido dos personagens e até mesmo uma história secundária para dar uma “enrolada” na obra, deixando a parte emocionante mais pro final.

Eu já sabia por cima qual era o assunto do livro (sim, eu não havia lido este nem assistido o filme), mas fui pego de surpresa ao ver que já começava no meio do pagode =)

Paul Sheldon, escritor preferido de Anne Wilkes, sofre um acidente em meio a neve e tem a “sorte” de ser encontrado pela fã número um dele. Até aí tudo bem, pois ele não se lembrava muito bem como fora parar ali, porém desde o início já ficava a dúvida de quanto tempo ele passara naquela cama. Anne é extremamente hospitaleira e começou a lhe contar como o tirou do carro e como vem cuidando dele.

A coisa começa a ficar ruim quando Paul passa a duvidar do motivo de estar sendo mantido numa cama em uma casa ao invés de ser levado para o hospital, além claro, do episódio em que Anne surta ficando claro que essa mulher tinha um parafuso solto e isso não era nada bom.

A resposta de Bernstein lhe parecera frívola, cruel e incompreensível: Muitos deles tinham pianos. Nós judeus gostamos muito de pianos. Quando se tem um piano, é difícil pensar em mudar.

Viciado em codeína (não, esse remédio não existe), Paul passa a depender de Anne para alimentar seu vício e fazer a dor sumir. A dependência é tão grande no início que ele aceita fazer coisas extremamente humilhantes somente para satisfazer o desejo de Anne e conseguir mais dois comprimidos.

Evitando contar muita coisa, e olha que eu gostaria de discorrer muito sobre essa história… Anne obriga Paul a escrever um novo livro somente para ela. Ninguém mais teria um livro sobre a Misery (personagem fictício criado por Paul Sheldon, daí o nome da obra em inglês) e não havia a mínima possibilidade de recusa.

A história é extremamente angustiante. É incrível como King conseguiu manter um livro com apenas dois personagens numa casa, em que a maior parte da história se passa dentro do quarto de hospedes, e ainda assim deixá-lo tão atrativo. Quando comentei sobre o fato de o livro já começar no meio do pagode, foi justamente por achar que iniciar já revelando boa parte do enredo, poderia torná-lo enfadonho, mas graças a Deus não foi o caso.

Em alguns momentos eu senti a dor do Paul, principalmente na hora em que ele leva uma porrada no joelho (desculpe, tive que contar essa parte). Em outros passei raiva pelo fato de Anne sempre estar um passo à frente e sofri de ansiedade pelo medo que Paul demonstrava quando estava fazendo alguma coisa escondida.

Estou mais perto da morte do que jamais estive na vida, pensou ele, porque ela realmente fala sério. Essa puta fala sério.

Se vocês acompanham minhas resenhas dos livros do King, sabem que sou extremamente fã do mesmo (não é à toa que tenho uma tatuagem da Torre Negra), fiquei muito feliz em ver o quanto ele ainda pode me surpreender em suas obras.

Recomendo efusivamente a leitura deste, principalmente se você tem vontade ou se escreve alguma coisa. Pela vida do Paul Sheldon, você consegue vislumbrar como King se organiza pra escrever um livro. Além de perceber também que não é necessária uma trama gigantesca com cem personagens (e cada um morrendo no final de um capítulo dos mil livros da série –` ) para tornar o livro interessante.

Caso você não tenha lido, nem assistido o filme, como eu, faça-o e garanto que não se arrependerá.

Comentando rapidamente sobre o filme. Como sempre existem algumas mudanças do livro pro filme, porém eu chutaria que o filme foi uns 90% fiel e não deixou nada a desejar. Não é à toa que a atriz que interpretou Anne Wilkes ganhou o Oscar daquele ano. Aqueles olhos vazios foram sensacionais =)

Ainda era bom ter terminado. Era sempre bom ter terminado. Bom ter produzido, ter causado a existência de alguma coisa.

Até a próxima.