Resenha: O Beijo – Série Bruxos e Bruxas – Vol. 4 – James Patterson

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Editora: Novo Conceito
Autor: James Patterson
ISBN: 9788581635101
Edição: 1
Número de páginas: 304
Acabamento: Brochura
Classificação EDS: 40 de 100 pontos
Compre: Amazon

No quarto livro da série Bruxos e Bruxas, Whit e Wisty, agora membros do Conselho, estão tentando reconstruir a cidade depois de derrotar “O Único Que É O Único”, o vilão mais malvado do mundo. Quando tudo parece correr bem, surge uma nova ameaça, personificada na figura do cruel Rei da Montanha. Ele é um mago indestrutível, que deseja a todo custo dominar a cidade. Sem água e prestes a ficar sem alimentos, a população conta com os irmãos Allgood para sobreviver.
Wisty está encantada pelo jovem Heath, que compreende tão bem os seus dilemas afinal, ele também é um bruxo. Talvez Wisty possa se unir a Heath na guerra contra o Rei da Montanha. Mas o que será que Whit acha disso?

Minhas impressões

Se vocês derem uma lida nas resenhas dos livros dessa série aqui no blog vão ver que no segundo livro eu já não estava gostando muito. Na verdade estava odiando. porém em respeito ao autor que já escreveu livros incríveis, continuei lendo. Sem contar o respeito pela editora também que foi umas das únicas que me deu a oportunidade de parceria e boas leituras.

Posso confessar que o fato de eu achar o livro péssimo é parte culpa minha também, pois esse livro com certeza deve ter sido escrito para crianças de dez ano ou menos, ou seja, não é pra mim. (Apesar de ter visto umas resenhas de meninas bem mais velhas achando essa saga incrível, tsc tsc). Vou tentar explicar da forma mais imparcial possível, mas vai ser difícil.

Relembrando um pouco sobre o que falei dos outros livros. Em Bruxos e Bruxas, primeira obra da série, o livro era extremamente empolgante. Afinal tratava-se de dois jovens que começavam a descobrir poderes mágicos. Já no primeiro livro eu fiquei um pouco irritado com a enrolação do autor para revelar que os dois tinham poderes, mesmo os leitores já tendo percebido.

Caso vocês não se lembrem, os pais deles os deixaram sozinhos e sem nenhuma informação para “protegê-los”. Posso não ser um escritor renomado, mas pra mim isso é um recurso fraco para segurar um enredo o máximo possível. Um termo que vou repetir bastante nessa resenha é Deus Ex Machina, no final eu explico.

No segundo livro, que por sinal nem fiz a resenha, a coisa já muda, pois o livro inteiro passa a ser uma repetição. Os dois bruxos vão se dando mal o livro inteiro com recompensas mínimas que não dão ao leitor, pelo menos pra mim, nenhuma satisfação em ser lido. Passamos então para o terceiro livro que me desculpem, foi uma tragédia.

Novamente os personagens vão sofrendo mais. Considerei a insistência do autor em detalhar o sofrimento dos personagens como desnecessário. Me sentia como se alguém estivesse narrando uma ferida aberta e toda sua purulência (nem sei se essa palavra existe, mas é nojenta mesmo assim).

Veja, são três livros de tamanho padrão, cerca de 300 páginas, com uma história que não tem fundamento suficiente para se sustentar (entenda fundamento como fundamento da própria história. Não estou pedindo dados científicos numa fantasia). Ao chegar no quarto livro eu vi que todos esse sofrimento dos personagens, todas as desgraças e coisas que não davam certo foram somente para chegar ao final do terceiro e dar aquela sensação de satisfação ao leitor por finalmente ter um final feliz.

Bééééééémmmm soa a campanhia indicando que você está errado. Novamente Deus Ex Machina! Ok, eu sei que não fui nem um pouco imparcial na resenha toda.

O final do terceiro livro foi a confirmação absoluta do uso do Deus Ex Machina, pra quem não sabe o que significa, é um termo usado na antiga grécia (e até hoje) para justificar coisas injustificáveis, digamos assim. Basicamente em uma peça grega o herói ficava preso em uma situação obviamente sem saída e descia um deus e o salvava. Ou seja, um final sem sentido.

Sério, no final do terceiro livro eu voltei uns três capítulos para ler novamente e entender seu o final do grande vilão era só aquilo, uma linha!

Finalmente o quarto livro. Sendo justo esse foi o melhor escrito (percebam que eu disse escrito, não melhor livro). O Whit deu salvada na história. Separei até um parágrafo para isso.

Perdoem-me novamente, mas vai ter spoiler. Eu falei antes que o livro era para crianças, mais especificamente para os pré adolescentes (eu ia falar para meninas especificamente, mas ia ficar específico demais e algumas pessoas iam ficar sentidas com isso), no quarto livro isso fica claro.

Neste volume aparece um cara do nada, absurdamente suspeito afim da Wisty e fica aquele romancezinho chato de um irritando o outro (umas cem páginas de clichê adolescente). O With mostrando a todo tempo que o cara era um problema, mas ela como uma “rebelde”, quer fazer o que quiser da vida dela.

Ou seja, os dois irmão acabaram de sair vitoriosos de um quase genocídio misturado com ditadura e se separam por causa de um cara que novamente, aparece do nada. Não faz sentido algum.

Outra coisa que não faz sentido é o fato da cidade ter acabado de sair de uma ditadura e entram em outra imediatamente ao “elegerem” um general que se torna megalomaníaco. Sei que é totalmente possível, porém o livro inteiro pregou a rebeldia, que a juventude é que mudaria o mundo e no final das contas mudaram a história pra conseguir escrever um pouco mais.

O que ajuda um pouco o enredo é o fato do autor contar a origem do Único. Relevei também o fato de existir outro super vilão logo em seguida do “Único”. Porém não engoli o fato de mais um final de livro à la Deus Ex Machina.

Por fim, pra baixar a pressão, a saga seria excelente se fosse resumida entre o primeiro livro, o final do terceiro e o quarto. O resto é só enrolação, mesmo, não é enredo ou coisas que façam sentido estar no livro =/

Por favor, não entendam a crítica à obra como uma crítica ao autor. James Patterson é um excelente autor porém essa obra foi um fracasso. Mas, se você for um(a) adolescente e tá apaixonadinho(a) por algum colega de classe, recomendo a leitura, se não, passe longe.

Ah sim, descobri recentemente (essa resenha tá guardada há uns seis meses) que terá um quinto livro! Alguém precisa urgentemente pegar esse editor e o agente do James Patterson e bater neles!

Até mais e desculpem o desabafo =p