Resenha: O Que A Vida Me Ensinou – Frei Betto

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Editora: Editora Saraiva
Autor: Frei Betto
ASIN: 9788502200548
Edição: 1
Número de páginas: 192
Acabamento: Brochura
Classificação EDS: 100 de 100 pontos
Compre: Saraiva

Uma história muito bonita por trás, de superação, de alguém que luta pelo que acredita, pelo que julga ser melhor para o povo. Neste livro, Frei Betto aborda diversos assuntos: religião, política, ideais, estilo de vida, enfim, apesar de estar ligado à Igreja Católica e ser crítico a ela, fala com qualquer pessoa, independente de suas crenças. História do Frei Betto é muito rica e traz muitas reflexões para o sétimo volume da coleção O que a vida me ensinou.

Minhas impressões

O Que a Vida Me Ensinou é uma coleção dentro de uma proposta da editora Saraiva em apresentar pequenas autobiografias de alguns nomes de referência nacional das mais diferentes áreas, com uma característica quase que de bolso, enfoque em ensinamento a partir da jornada pessoal, sucinta e com bastante dinamismo.

O volume escrito por Frei Betto tem como chamada a provocação de que “o desafio é sempre imprimir sentido à existência” e o ritmo que o acompanha é o de uma conversa. Frei Betto, frade dominicano, nascido em Belo Horizonte – Minas Gerais, escreve sobre sua vida de maneira não linear e a partir de algumas situações cruciais.

A força da literatura sob ditaduras: ela traduz o sofrimento das vítimas e dialoga com as vítimas. Dá voz a quem foi silenciado. Dá vida a quem morreu assassinado. Não nasce da encomenda do poder, e sim do grito parado no ar, da garganta sufocada, do sentimento reprimido, da oceânica vocação humana à liberdade. É literalmente uma escrita subversiva, que corre “por baixo” e projeta luz critica sobre o que se passa “por cima”.

Conta a história de sua infância, a importância de sua origem familiar com laços fortes e estreitos, a peculiaridade da vida no interior e o processo de aproximação com a leitura. A história de vida de Frei Betto está ativamente ligada a momentos importantes da História do Brasil: o autor esteve preso durante a ditadura militar e esse período deixou marcas, sinalizou a força da luta e opção de vida pela bandeira de uma sociedade menos desigual.

Tece comentários e explanações sobre o capitalismo desenfreado, a pós-modernidade e as implicações da felicidade em dias como os atuais. Há tempos acompanho, ainda que de longe, a trajetória de dominicano e muito surpreendeu sua presença necessária diante do episódio da morte do presidente Tancredo Neves e na difícil fase, de cunho mais pessoal, em que acompanhou o irmão em um cenário de uso e abuso de drogas, ao que ele chamou de “quando virei pai do meu irmão”.

A vida só vale a pena ser vivida movida por sentimentos e práticas de amor, de justiça, de respeito à identidade e aos direitos do outro. Só assim seremos capazes de saciar a nossa fome de pão e aplacar a nossa sede de beleza.

Gosto da opção quase dialogada com que o autor escreve, compartilha situações de âmbito privado e reflexões filosóficas, políticas, sociais, econômicas e históricas como se estivéssemos em uma daquelas longas conversas de final de tarde regadas a café com bolo.

É bastante sutil ao evocar a memória de nossa História recente como personagem ativo, correto e fiel às suas convicções políticas e sem omissão ou neutralidade. É impressionante sua atuação: estuda, lê, escreve artigos em jornais, sites e revistas, assessora movimentos sociais, é palestrante, publica livros e ainda menciona: “a vida é curta para todos os meus projetos. E não cabe nos meus sonhos”.

Outro ponto interessante está em sua fala sobre os motivos pelos quais é escritor, da dificuldade em produzir uma obra literária tanto pelo excesso de notícias e informações, quanto pelo exercício de “recolher-se à solidão” e a disciplina que o ofício carece para lapidar o trabalho de leitura, pesquisa e escrita. Relata que a ditadura fez dele um autor, que antes apenas escrevia.

É este olho critico que tanto tememos. E quando ele emerge, os oráculos do sistema neoliberal tratam de tentar cegá-lo e afundá-lo. Ele ameaça porque funciona como espelho no qual estamos atolados, movidos como rebanho pelo Grande Imã – o entretenimento televisivo centrado no estímulo ao consumismo.

Ao final ficamos com a impressão de que tivemos um importante olhar panorâmico sobre a biografia do autor e, como não poderia deixar de ser, temos o viés da espiritualidade de Frei Betto desde sua opção ainda jovem e de algumas considerações que provocam o leitor independente de sua religião, ao que ele intitula de “Dez Conselhos para Viver a Religião no Século XXI”:

1. Religue-se
2. Cultive sua espiritualidade
3. Valorize a vida
4. Insira-se na comunidade orante
5. Pratique sua crença
6. Ore
7. Pratique a tolerância
8. Lembre-se: Deus não tem religião
9. A árvore se conhece pelos frutos
10. Deus é amor e toda experiência de amor é experiência de Deus.

Histórias de vida são sempre fascinantes e a aqui pontuada é um exemplo de autobiografia, ainda que bem resumida, de uma pessoa simplesmente especial e inspiradora.

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