Resenha: Grau 26 – Anthony E. Zuiker

/Editora Record/Resenhas/

Editora: Record
Autor: Anthony E. Zuiker | Duane Swierczynski
ISBN: 9788501088833
Edição: 1
Número de páginas: 434
Acabamento: Brochura
Classificação EDS: 50 de 100 pontos
Compre: Amazon

Anthony E. Zuiker, visionário criador de CSI, apresenta o primeiro romance digital interativo sobre a mais brutal série de crimes do mundo. O perito Steve Dark e sua equipe têm nas mãos o mais terrível assassino de todos os tempos. Um homem tão perverso que não se encaixa nos 25 graus de psicopatia estipulados pela lei. Para ele, é necessário criar o grau 26. Um livro eletrizante e inovador, a primeira experiência literária de conversão de mídias.

Minhas impressões

Esse livro estava na minha lista de leitura já faz um bom tempo e ainda estou em dúvida se não era melhor tê-lo deixado lá. Vou explicar a seguir.

O livro traz a história de um novo grau na escala psiquiátrica que mede a maldade. Pra você, assim como eu, que não sabia que existia isso, a escala conta com vinte e dois níveis de maldade que vão desde matar alguém em auto defesa, até psicopatas que torturam por anos e depois matam as vítimas. No livro somos apresentados a vinte e cinco níveis e surge o vigésimo sexto.

Resenha: Do amor e outros demônios – Gabriel Garcia Márquez

/Editora Record/Resenhas/

Editora: Record
Autor: Gabriel García Marquez
ASIN: 9788501042286
Edição: 1
Número de páginas: 192
Acabamento: Brochura
Classificação EDS: 100 de 100 pontos
Compre: Amazon

Em 1949, o então jovem repórter Gabriel García Márquez acompanha a remoção das criptas do convento histórico de Santa Clara, e o túmulo de uma menina o faz lembrar as lendas contadas por sua avó. Segundo ela, no Caribe, havia uma marquesinha que tinha uma “cabeleira que se arrastava como a cauda de um vestido de noiva”. Venerada por seus milagres, ela foi mordida por um cachorro e morreu de raiva. Seria ela ali enterrada? García Márquez conta a história da filha única de um marquês, criada no convívio de escravos e orixás, e um padre incumbido de exorcizar os demônios que se acredita terem possuído a pequena, cujos cabelos só seriam cortados em seu casamento.

<nbsp;>
<nbsp;>

Minhas Impressões

Ler Gabriel García Márquez é sempre um acontecimento e algo feito com reverência, admiração e imersão numa escrita realizada com força que provoca em mim um fascínio inexplicável por aquele mundo fantástico que ele criou.

Há muitos anos, depois de uma série de tentativas frustradas, fui completamente arrebatada pelos Buendia de Cem Anos de Solidão e hoje o cenário narrativo de toda e qualquer história do autor é, na verdade, a boa e velha Macondo. Para os demais leitores provavelmente não deve ser assim, cada obra deve ter seu território e tudo o mais, mas pra mim elas acontecem quase que simultaneamente “por ali”.

Em meu imaginário tudo tem o mesmo cenário, as aventuras e desventuras descritas nos livros do autor ocorrem na mesmíssima região. Consigo pensar as grandes fazendas, as casas, os vilarejos, as florestas, as estradas e os mosteiros exatamente da mesma forma com a alteração apenas dos personagens e enredos, como se a cem quilômetros do mar que trouxe “O Afogado mais bonito do mundo” estivesse o lugar em que “O Amor nos tempos ao cólera” se passou.

Tudo isso para chegarmos ao belo e curioso “Do Amor e Outros Demônios”, história que é narrada de maneira belíssima, com identidade marcante e que tem um poder surpreendente. O título é aquela provocação interessante, que amplia a reflexão sobre a quebra do significado do Amor como divino e coloca-o de maneira dúbia como obra do “coisa ruim”.

No início da carreira como repórter, Garcia Marquez foi encaminhado para acompanhar a remoção das criptas de um antigo convento da cidade de Santa Clara e quando o túmulo de uma jovem é aberto “a cabeleira que se arrastava como a cauda de um vestido de noiva”, o fez relembrar de uma das histórias de sua avó sobre uma marquesa que fazia milagres pelo Caribe e é sobre ela, Sierva Maria de Todos Los Angeles, que o livro vai falar.

– Não é que a menina seja negação para tudo, o que há é que ela não é deste mundo.
Bernarda quisera aplacar os seus rancores, mas logo ficou evidente que a culpa não era nem de uma ou de outra, mas da natureza de ambas. Vivia em pânico desde que acreditou descobrir na filha certa condição fantasmal. Tremia só de pensar no instante em que olhava para trás e dava com os olhos inescrutáveis da criança lânguida com seus tules vaporosos e a cabeleira silvestre que já lhe batia pelos joelhos.

O parte inicial do livro apresenta a menina Sierva Maria e toda a solidão e mistério que acompanham sua existência, ficamos em dúvida sobre os motivos pelos quais não interage com as pessoas e seu fascínio, reconhecimento e conforto na proximidade com os rituais africanos.

Tomamos conhecimento dos adultos da história e suas respectivas solidões, falta de amor ou tentativas tardias de mudança; o pai Marquês de Casalduero mostra cuidado e atenção para com a filha um pouco tarde e apesar das ressalvas, cede ao médico que diante de episódios que envolvem vômitos, objetos que se movem e outras situações duvidosas; a mãe, Bernarda Cabrera, perdeu-se em si mesma e teme verdadeiramente o mistério da filha num distanciamento escabroso de si, da família ou das tentativas de ser o que se é.

O comportamento da menina vai suscitando questões e observações, inclusive médicas, até que se chega a conclusão de que está possuída e que é preciso intervenção imediata. Uma vez “descoberta” a possessão demoníaca, entra em cena o padre Cayetano Delaura religioso inteligente, letrado e bastante culto.

O convento onde Sierva Maria é colocada tem descrição horripilante e as freiras reforçam todas as intolerâncias que oprimiram e ainda oprimem os que sentem, pensam e agem de maneira diferente.

Delaura, depois de tentar salvar a menina do demônio, acaba sucumbindo ao poder do amor, numa história com dose de mistério, encantamento e ardor. Trata-se de um amor perturbado, inquieto e bastante diferente do que esperamos e que acaba inquietando o leitor acostumado a obras mais lineares.

E sem lhe dar tempo ao pânico, libertou-se da matéria turva que o impedia de viver. Confessou que não passava um instante sem pensar nela, que tudo o que bebia e comia tinha gosto dela, que a vida era ela a toda hora e em toda parte, como só Deus tinha o direito e o poder de ser, e que o gozo supremo de seu coração seria morrer com ela. Continuou falando sem a fitar, com a mesma fluidez e o mesmo calor com que recitava, até que teve a impressão de que Sierva Maria tinha dormido. Mas ela estava atenta, fixos nele os seus olhos de corça assustada. Apenas se atreveu a perguntar:
– E agora?
– Agora nada – disse ele. – Basta que saibas.

Temos ainda outras tantas nuances em que podemos pensar sobre a religiosidade, as hierarquias, a decadência social e de si, os papéis que se assume, o fanatismo e outras tantas questões que não apontamos aqui para não entregar ainda mais a história.

Ainda não li toda a obra do grande Gabo e a presente não é a melhor das que já conheço, mas o livro vale muito a aventura!

Resenha: Número Zero – Umberto Eco

/Editora Record/Resenhas/

Editora: Record
Autor: Umberto Eco
ISBN: 9788501104670
Edição: 1
Número de páginas: 208
Acabamento: Brochura
Classificação EDS: 100 de 100 pontos

Um grupo de redatores, reunido ao acaso, prepara um jornal. Não se trata de um jornal informativo; seu objetivo é chantagear, difamar, prestar serviços duvidosos a seu editor. Um redator paranoico, vagando por uma Milão alucinada (ou alucinado numa Milão normal), reconstitui cinquenta anos de história sobre um cenário diabólico, que gira em torno do cadáver putrefato de um pseudo-Mussolini. Nas sombras, a Gladio, a loja maçônica P2, o assassinato do papa João Paulo I, o golpe de Estado de Junio Valerio Borghese, a CIA, os terroristas vermelhos manobrados pelos serviços secretos, vinte anos de atentados e cortinas de fumaça – um conjunto de fatos inexplicáveis que parecem inventados, até um documentário da BBC mostrar que são verídicos, ou que pelo menos estão sendo confessados por seus autores.

Minhas Impressões

Sou fã de Umberto Eco pela história e mítica contada em “O Nome da Rosa”. O livro me levou a começar a entender que o aprendizado na escola, mostrando a Idade Média como marcada pelas trevas porque o conhecimento tinha ficado “em suspenso”, era balela. Tudo estava lá, fervilhando, preservado e na mão de poucos.

Em seu novo romance o autor apresenta uma história surreal que, entre outras questões, reacende o sinal de alerta a respeito do poder dos meios de comunicação. Acompanhamos a implantação de um jornal que não existe, um composto de doze “Números Zero” que apresentarão notícias projetadas em algo que já aconteceu, produzindo desdobramentos possíveis, inverossímeis e de leitura que servirá a interesses específicos.

…mas meu pai me acostumou a não acreditar em todas as notícias. Os jornais mentem, os historiadores mentem, a televisão hoje mente.

O pano de fundo da narrativa está na ambientação do momento histórico italiano no ano de 1992 em que vieram à tona escândalos de corrupção. O livro é narrado em primeira pessoa pelo ghost-writer “Colonna” que passa a trabalhar no projeto de um comendador bastante influente e endinheirado que quer ainda mais poder usando para isso a manipulação da notícia.

Chamado “Amanhã” o jornal tem todos os ingredientes fantasiosos, mentirosos, investigações que desqualificam as vítimas e denunciantes, criações fantasiosas diversas, suposições acerca do assassinato de um Papa e de uma sensacional fuga de Benito Mussolini em que foi apresentado um cadáver que não era o dele enquanto o próprio fugia para Argentina.

Por vários momentos ficamos com aquela sensação de que estamos perdendo a linha de raciocínio da história e a impressão que tenho é de que foi proposital. O autor coloca as situações num emaranhado de notícias, acontecimentos e fatos que nos deixa aturdidos tentando organizar as ideias e acho que é uma pegadinha inteligente e irônica para mostrar o poder de manipulação da mídia.

…Percebam que hoje, para contra-atacar uma acusação não é necessário provar o contrário, basta deslegitimar o acusador.

Fiz a opção pela leitura crua sem pesquisar os fatos históricos, quis aproveitar as reflexões sobre a “imprensa marrom” e como funcionam as criações das notícias, o uso de pessoas da opinião pública para legitimar uma ideia que é do jornal e toda a sorte de absurdos que circundam o mau jornalismo.

Certamente não é o melhor livro de Umberto Eco, mas sem dúvida provoca diversas reflexões sobre o momento em que vivemos bombardeados por informações que são passíveis de compartilhamento sem que antes seja verificado a veracidade dos fatos. Hoje é o Amanhã da obra.

Resenha: Primavera de cão – Patrick Modiano

/Editora Record/Resenhas/

Editora: Record
Autor: Patrick Modiano
ISBN: 9788501103062
Edição: 1
Número de páginas: 112
Acabamento: Brochura
Compre: Amazon
Classificação EDS:  100 de 100 pontos

O mais misterioso livro de Patrick Modiano. Aos dezenove anos, numa manhã da primavera de 1964, o narrador encontra o fotógrafo Francis Jansen. Ele trabalha em Paris para uma revista norte-americana, foi amigo de Robert Capa, encontrava-se com uma mulher chamada Colette Laurent que agora o procura incessantemente, guarda todas as suas fotos em três maletas, e desaparece sem deixar vestígios.
Homem evasivo e misterioso, Jansen faz parte da galeria de tipos que, como só Patrick Modiano é capaz de descrever, prefere o silêncio e as reticências às palavras.
O narrador retorna a bairros afastados, tenta reencontrar pessoas perdidas, e busca romper a camada de silêncio e de amnésia ao seu redor. As silhuetas lhe escapam; depois de trinta anos, os rostos já não estão nítidos. Ele deseja recuperar o passado, para que se torne algo além de fragmentos distantes e ausentes. Tudo lhe causa uma sensação de irrealidade. E é na busca do passado, de Francis Jansen e de tantos outros, que sua identidade é rememorada.

Minhas Impressões

O interesse na leitura do livro partiu da vontade de tomar conhecimento de alguma obra do escritor ganhador do prêmio Nobel de Literatura de 2014. Tive uma grata surpresa, pois o livro é sutil e disparador de memória.

A história é leve e conta as memórias do narrador enevoadas pelo tempo e sua amizade primaveril com o fotógrafo misterioso Francis Jansen. Encontro que deixou marcas e aquela sensação suspensa de uma relação que simplesmente sumiu no ar.

Jansen tirava fotos com sua Rolleiflex, mas eu quase não notava… Certo dia, quando eu me assombrei com essa fingida desenvoltura, ele me disse que era preciso “capturar as coisas com doçura e em silêncio senão elas se retraem”

Jansen é francamente um grande e sensível profissional que carrega consigo a dor e a saudade pela perda precoce de um amigo, de seu amor, e demonstra apesar de continuar a fotografar, ter perdido o encantamento pela vida. Mostra sabedoria em alguns exemplos, sensibilidade de artista e pouco conforto com as relações pessoais.

A fotografia permeia toda a obra e é parte da poesia silenciosa do livro, seja na vivência entre os dois amigos, na descrição da organização primorosa de todo o acervo do fotógrafo realizada pelo narrador, na projeção de que o jovem possa alcançar o sonho de ser escritor ou na forma em que os cenários parisienses são apresentados.

No decorrer da leitura, nas entrelinhas e, apesar de não existir a promessa, ficamos aguardando aquela boa e velha redenção que nos conforta, mas a resposta virá de maneira surpreendente sugerindo que a estranheza de alguns momentos de nossa vida esteja ligada a um duplo que morreu em nosso lugar.

Não se preocupe, meu jovem… Eu também costumava cair em buracos negros com frequência… Eu não podia prever o futuro.

A cenografia parisiense contemporânea e de outrora, a biografia de Jansen, o próprio narrador, o silêncio e alguns mistérios deixam a história numa suspensão interessante que mobiliza a continuidade da leitura. Vale!

Descobri posteriormente que a obra fecha uma trilogia que, garante o autor, pode ser lida de maneira absolutamente independente e sem prejuízo. Os títulos anteriores são Remissão da Pena e Flores da Ruína.

Resenha: O Último Reino – Crônicas Saxônicas – Livro 1 – Bernard Cornwell

/Editora Record/Resenhas/

Editora: Record
Autor: Bernard Cornwell
ISBN: 8501073520
Edição: 1
Número de páginas: 364
Acabamento: Brochura
Compre: Amazon
Classificação EDS:  100 de 100 pontos

“O Último Reino” é o primeiro romance de uma série que contará a história de Alfredo, o Grande, e seus descendentes. Aqui, Cornwell reconstrói a saga do monarca que livrou o território britânico da fúria dos vikings. Pelos olhos do órfão Uthred, que aos 9 anos se tornou escravo dos guerreiros no norte, surge uma história de lealdades divididas, amor relutante e heroísmo desesperado. Nascido na aristocracia da Nortúmbria no século IX, Uthred é capturado e adotado por um dinamarquês. Nas gélidas planícies do norte, ele aprende o modo de vida viking. No entanto, seu destino está indissoluvelmente ligado a Alfred, rei de Wessex, e às lutas entre ingleses e dinamarqueses e entre cristãos e pagãos. “O Último Reino” não se resume a cenas de batalhas bem escritas e reviravoltas cheias de ação e suspense. O livro apresenta os elementos que consagraram Cornwell: história e aventura na dose exata. Uma fábula sobre guerra e heroísmo que encanta do início ao fim.

Minhas impressões

Comprei o box das Crônicas Saxônicas com os seis livros mais ou menos uns dois anos atrás e desde então estava fechado. NUnca tinha ouvido falar se era bom ou não, mas mesmo assim comprei. Comecei a ler e como estava de férias, terminei em vinte e quatro horas. Direto, sem dormir! O livro é excelente!

Acompanhamos a vida de Uthred. No início do livro um garoto, filho de um nobre da Nortúmbria, dono das terras de Bebamburg. De início não esperava muito do livro, mas me enganei (ainda bem).

Não vou falar de datas, pois minha memória é péssima, mas a história começa a ficar frenética quando os primeiros navios Dinamarqueses aparecem no litoral de Bebamburg. Os Dinamarqueses eram temidos naquela época por sua perícia em guerra e como eram brutais em batalhas. Os ingleses estavam certos em temer.

Pulando fatos importantes na história, Uthred passa a ser um escravo. Seu senhor é o earl Ragnar, uma espécie de nobre para os Dinamarqueses. Como Uthred é muito jovem, ele acaba se afeiçoando ao earl e até mesmo a andar com seus filhos e se considerando um Dinamarquês.

O único conselho que Uthred carregou de seu pai foi: “Olhe e aprenda”. E ele aprendeu muito bem…

Novamente pularei alguns fatos pra contar na verdade minha experiência com o livro.
O livro 1 é justamente aquele tipo de livro que você xinga os inimigos do protagonista, grita com o personagem principal, torce pra que ele consiga vencer, ou então conseguir a tão esperada vingança. Em alguns momentos eu tive tanta raiva do que faziam com Uthred que tinha que parar de ler um pouco pra me acalmar e voltar a ler de novo =)

Enfim, a série já me conquistou. Tanto que já li o segundo livro. O autor consegue mesclar muito bem fatos históricos com ficção, o que deixa a trama maravilhosamente bem escrita, além de ajudar a conhecer um pouco mais da história real. As batalhas são bem detalhadas e em nenhum momento o livro se torna maçante. Recomendo muito a série. Logo, logo, posto a resenha do segundo livro.

ps: A capa brasileira é bem melhor ;]

Até =)

Compartilhe este link para ganhar pontos