Resenha: Como o Google funciona – Eric Schmidt & Jonathan Rosenberg

/Editora Intrínseca/Resenhas/

Editora: Intrinseca
Autor: Eric Schmidt & Jonathan Rosenberg
ISBN: 9788580576139
Edição: 1
Número de páginas: 320
Acabamento: Encadernado
Classificação EDS: 100 de 100 pontos

Em Como o Google Funciona, Eric Schmidt e Jonathan Rosenberg reúnem as valiosas lições que fizeram da empresa uma gigante global conhecida pela missão de inovar incessantemente. Eles descrevem como o avanço da tecnologia transferiu o poder das corporações para os consumidores e reforçam que, para sobreviver, é essencial concentrar esforços na qualidade dos produtos e investir em uma nova categoria de profissionais: os criativos inteligentes, que unem conhecimento técnico, tino comercial e uma criatividade sem limites.

Minhas Impressões

Onde trabalho temos um grupo de estudos onde todo mês escolhemos um livro e discutimos sobre o mesmo. A intenção do grupo não é avaliar o livro e aplicar suas ideias imediatamente, e sim analisar o mesmo e comparar com o que já existe na empresa, saber se é possível aplicar isso no nosso dia a dia.

Como disse a intenção do grupo não é agir imediatamente. Hoje, depois de algumas reuniões eu percebo que existe uma mudança mais no modo de agir dos participantes, do que no trabalho em si. Não sei se estou sendo claro o suficiente, mas a mudança que o grupo de estudos tem feito nas pessoas tem sido mais sutil, ao poucos, melhorando a forma de pensar.

Pois bem, falando do livro em si, os autores são geniais. Não somente pela ideia que tiveram ao criar o Google, mas por entenderem tão bem as necessidades do organismo vivo que se tornou a empresa. Existem muitos pontos no livro que merecem atenção. Pra ter ideia eu usei mais de 120 post-its para marcar os trechos importantes. Vou citar alguns aqui, os quais acho essenciais em qualquer empresa.

Sei que sou novo e não tenho tanta experiência em gestão assim, porém o tempo que trabalhei como coordenador, e também o fato de considerar a capacidade de liderança algo nato, aprendi algumas coisas (ser chefe é fácil, liderar não).

Primeira coisa, a estrutura de uma empresa deve incentivar o livre discurso, ou seja, o funcionário deve ter o direito de opinar (claro que estou falando de opiniões que não infrinjam o “moral”). Deve-se tomar cuidado principalmente com aqueles que fingem aceitar a opinião, mas pelas costas tá acabando com o funcionário. O direito de opinar e de falar abertamente incentiva a criatividade.

Segundo, os valores da empresa devem refletir os valores de seus funcionários. Não se trata só de reunir os diretores da empresa e criar uma frase “bonitinha” que deixe os clientes, os acionistas e os funcionários felizes. Um dos valores do Google é “não seja mau”. Há um significado gigantesco nesse simples valor que é difícil descrever.

Terceiro, a liderança da empresa deve criar novos líderes. Em um certo momento no Google, os fundadores perceberam que deveriam se afastar, pois suas ideias, por mais inovadoras que fossem, podem não acompanhar a velocidade necessária, basta olhar para um filho ou sobrinho pra vê-lo como dois anos mexendo num celular, enquanto você com essa mesma ideia mal andava. O exemplo é simples eu sei, mas ilustra o que quero dizer. Não adianta ficar com uma estátua de mármore na cadeira do diretor, só porque ele está desde a fundação ou porque ele tem mais experiência. Obviamente não estou falando pra todos os diretores se levantarem, darem as mãos e irem embora. Não adianta um diretor que só faz volume em reunião.

Quarto, a contratação e valorização do funcionário deve ser uma das coisas mais importantes da empresa. É necessário que seja um processo que garanta um funcionário alinhado com os valores e metas da empresa, um funcionário que “encaixe” perfeitamente. Perceba que o processo não deve ser moroso e sim assertivo. Não basta só um dinâmica, como a do balão por exemplo, para identificar se um candidato é bom ou não.
Sobre valorização é simples. Um funcionário que se sente bem na empresa, vai ser muito mais produtivo e criativo, agilizando as soluções.

Quinto e mais importante de todos. Seus produtos, serviços, enfim, devem ser excelentes para o cliente/usuário. A receita também é simples, se o produto é excelente, ele trará lucro. Você pode não ganhar muito com ele, mas se o produto se destaca e entrega mais do que o usuário pode esperar, ele trará lucro. Hoje é o usuário que escolhe o que quer usar não você.

Ainda existem empresários, chefes na verdade, que acham que nada dessas “frescuras” são verdades, que o empregado deve só sentar lá na mesa dele e produzir. Até pode dar certo por um tempo, mas esse mesmo empresário está fadado ao fracasso, sem contar a porcentagem alta de turn over.

Os autores não recomendam uma revolução na empresa. Não dizem para parar a produção e começar tudo do zero. São passos simples, que se mudados gradativamente vão tornar sua empresa um lugar desejável para funcionários, bem quisto por clientes e lucrativo para os acionistas. Isso não é algo exclusivo só do Google.

Como disse o livro é excelente. É um daqueles que deveriam constar nos livros obrigatórios para concurso ou conclusão de curso de qualquer área ligada à gestão. Recomendo imensamente pra quem está precisando dar um up na organização da empresa.

Até a próxima e por favor, deixem suas opiniões.