Resenha: O instinto de morte – Jed Rubenfeld

/Editora Paralela/Resenhas/

Editora: Paralela
Autor: Jed Rubenfeld
ISBN: 9788565530033
Edição: 1
Número de páginas: 400
Acabamento: Brochura
Classificação EDS: 100 de 100 pontos
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Uma bomba explode na Wall Street. É 16 de setembro de 1920. O sol está a pino. A catástrofe soma 36 mortos e mais de trezentos feridos, no que é considerado o primeiro grande ataque terrorista aos Estados Unidos. Esse é o ponto de partida de ‘O instinto de morte’, um thriller que combina elementos de romance histórico a um clima ‘noir’.

Minhas impressões

Peguei esse livro claramente pelo nome, numa dessas feiras de livros no shopping. Em meio a tanta notícia recente sobre terrorismo, além do nome, o assunto me chamou atenção: O maior atentado terrorista (até 2011) em solo americano e que até hoje não foi resolvido.

“Quem você deve assassinar se odeia todo um país? No velhos tempos teria sido o rei. Ataque o rei da Inglaterra, e estará atacando a própria Inglaterra. Mas um presidente? Um presidente é apenas um político que de qualquer modo, terá ido embora em poucos anos. Numa democracia é preciso tirar o assassinato de dentro do palácio. Você precisa assassinar pessoas.”

Resenha: A Vida do Livreiro A. J. Fikry – Gabrielle Zevin

/Editora Paralela/Resenhas/

Editora: Paralela
Autor: Gabrielle Zevin
ASIN: 9788565530668
Edição: 1
Número de páginas: 192
Acabamento: Brochura
Classificação EDS: 90 de 100 pontos

Livrarias atraem o tipo certo de gente.
É o que descobre A. J. Fikry, dono de uma pequena livraria em Alice Island. O slogan da sua loja é “Nenhum homem é uma ilha; cada livro é um mundo”. Apesar disso, A. J. se sente sozinho, tudo em sua vida parece ter dado errado. Até que um pacote misterioso aparece na livraria. A entrega inesperada faz A. J. Fikry rever seus objetivos e se perguntar se é possível começar de novo. Aos poucos, A. J. reencontra a felicidade e sua livraria volta a alegrar a pequena Alice Island. Um romance engraçado, delicado e comovente, que lembra a todos por que adoramos ler e por que nos apaixonamos.

Minhas Impressões

Ao ler A Vida do Livreiro A.J.Fikry ficamos com um misto de sensações e uma série de observações que devem ser consideradas e vão além do indicamos ou não indicamos. O livro conta a história de um livreiro viúvo, morador de uma ilha em que só chegamos de balsa, solitário, ranzinza, fã e leitor absoluto dos clássicos e que se nega veementemente a abrir-se às novidades editoriais do mercado moderno.

Nenhum homem é uma ilha; cada livro é um mundo

A livraria passa por uma crise financeira e, de certo modo, A. J. Fikry acredita que possuir e leiloar uma relíquia de Edgar Allan Poe pode ajudá-lo a encontrar a saída para o momento delicado.

Os planos do livreiro sofrem uma mudança brusca a partir de uma noite de bebedeira em que simultaneamente dois fatos distintos o atinge, teremos o mistério do roubo da obra de Poe e ainda o recebimento de um pacote muito especial e a partir daí as aventuras de A.J. Fikry passam a ter novo e diferente significado com abertura para o que a vida pode oferecer em suas doçuras e amarguras.

Não somos as coisas que colecionamos, adquirimos, lemos. Somos, enquanto estamos aqui, apenas amor; as coisas que amamos, as pessoas que amamos e estas, acho que estas realmente continuam.

O enredo simples fica um pouco em suspenso pelo excesso de histórias e situações abertas e a objetividade excessiva ao “fechá-las” sem apresentar o desdobramento das situações e que curiosamente sabemos que pode alegrar e facilitar a vida de alguns leitores. A impressão é que alguns desfechos mereceriam um maior contexto justamente pelo entusiasmo que criaram no início.

‘Que bom que leu’, diz Amelia. ‘Implorei para que todo mundo que eu conheço lesse, e ninguém me ouviu. Às vezes os livros só nos encontram no momento certo.’

No decorrer da leitura encontramos várias e várias referências e pensamos em algo do tipo “já li isso em algum lugar” ou “a fulana é bastante semelhante aquela do seriado tal” e sabemos que nada disso é necessariamente errado ou ruim, entendemos a construção de personagens e sabemos a força que a identificação possui, o problema é quando a obra é marcada por questões do tipo transformando-a num roteiro de filme adocicado.

A edição e tradução talvez mereçam um segundo olhar porque tivemos a impressão, nosso exemplar foi o da primeira edição, de que a obra não apresenta o cuidado que os dois quesitos necessitam e não foram poucos os equívocos de concordância e tradução com aparência meio estranha encontrados ao longo da leitura.

Por que um livro é diferente do outro? São diferentes porque são. Temos que abrir muitos. Temos que acreditar. Concordamos com ocasionais decepções para ficarmos maravilhados de vez em quando.

Uma riqueza interessante e diferencial é que a abertura de cada um dos capítulos tem uma citação bacana que valorizou bastante a obra por possuir uma relação com o livreiro e sua personalidade complicada.

Pelo número de páginas e pela narrativa consideramos que pode ser uma daquelas obras para jovens, leitores iniciantes e aos que buscam algo leve para ser lido numa tarde preguiçosa de domingo.

Resenha: Da minha Terra à Terra – Sebastião Salgado

/Editora Paralela/Resenhas/

Editora: Paralela
Autor: Sebastião Salgado e Isabelle Francq
ISBN: 9788565530569
Edição: 1
Número de páginas: 176
Acabamento: Brochura
Classificação EDS:  100 de 100 pontos

As fotos de Sebastião Salgado são famosas no mundo inteiro. Suas imagens em preto e branco de trabalhadores e refugiados já ganharam inúmeros prêmios e são reconhecidas pela profunda dignidade que despertam no interlocutor. Em 2013, depois de oito anos de reportagens, Salgado expôs pela primeira vez o celebrado Projeto Gênesis, que deu origem ao livro de mesmo nome. Em uma jornada fotográfica por lugares intocados, onde o homem convive em harmonia com a natureza, o fotógrafo pôde declarar seu amor à Terra, em sua grandeza e fragilidade. Mas apesar das imagens de Sebastião Salgado já terem dado a volta ao mundo, sua história pessoal, as raízes políticas, éticas e existenciais de seu engajamento fotográfico permaneciam ignoradas.
Em Da Minha Terra à Terra, é seu talento como narrador que surpreende. A autenticidade de um homem que sabe como poucos combinar militância, profissionalismo, talento e generosidade.

Minhas Impressões

Após assistir ao documentário “O Sal da Terra” e ficar encantada com o que foi mostrado da vida e obra de Sebastião Salgado, resolvi dar uma olhada no livro “Da minha terra à Terra”.

Escrito em primeira pessoa e em parceria com a jornalista Isabelle Francq, o livro é leve e conta a trajetória pessoal e profissional do fotojornalista numa sequência gradativa que vai surpreendendo e consolidando o entendimento da conquista de uma notoriedade planetária e quase unânime.

Sebastião Salgado conta a infância bucólica em Minas Gerais, seu desejo de conhecer além das fronteiras, o gosto por viajar, a formação inicial em Economia, sua militância e partida para França em exílio durante a ditadura militar.

Minha fotografia não é uma militância, não é uma profissão. É minha vida. Adoro fotografia, fotografar, estar com a câmera na mão, olhar pelo visor, brincar com a luz. Adoro conviver com as pessoas, observar as comunidades – e agora também os animais, as árvores, as pedras. Minha fotografia é tudo isso, e não posso dizer que são decisões racionais que me levam a olhar para isto ou aquilo. É algo que vem de dentro de mim. O desejo de fotografar está constantemente me levando a recomeçar. A buscar outros lugares. A procurar outras imagens.A tirar novas fotografias, ainda e sempre.

A família é retratada de maneira carinhosa e com potência muito grande para inspiração e suporte de Salgado. A mulher Lélia, companheira de vida, é editora dos livros e organizadora das grandes exposições do fotógrafo, o filho Juliano é cineasta e Rodrigo, portador da síndrome de Down, é apontado pela entrada de todos em um outro nível de percepção: “…Antes, eu não via as pessoas com deficiência. Aprendi a vê-las.”

Na história profissional, uma das observações mais interessantes é o surpreendente processo de criação, planejamento, pesquisa, execução e apresentação final de cada um dos projetos, cuja duração aproximada é de incríveis seis anos. Um período de entrega total, idas e vindas, registros, reflexões, espera, entendimento da singularidade e profundo respeito do que está sendo retratado.

A fotografia é uma escrita tão forte porque pode ser lida em todo o mundo sem tradução.

Nos capítulos que abordam os projetos “Gênesis”, “Outras Américas”, “Êxodos”, “Trabalhadores” e “Terra” encontramos uma aproximação com os bastidores dos trabalhos e sentimos o quanto de verdade e entrega existe em cada um deles.
Em uma passagem mais técnica, apresenta sua opção pelo preto e branco, suas aventuras para garantir o trânsito dos filmes num mundo de aeroportos com equipamentos que podem danificá-los, quantidade de fotos realizadas, qualidade das revelações, das lentes e a passagem do analógico para o digital na fotografia.

Fica evidente que não é, talvez nem tenha a pretensão, a biografia definitiva do percurso vivido até aqui, mas é um registro interessante e curioso de uma vida dedicada ao ato corajoso de descobrir o que se ama e fazê-lo especialmente bem. Merece a leitura para reforçarmos o encantamento por Sebastião Salgado, pela fotografia, pela Humanidade e pela Terra.