Resenha: Big Jato – Xico Sá

/Editora Companhia das Letras/Resenhas/

Editora: Companhia das Letras
Autor: Xico Sá
ISBN: 9788535921816
Edição: 1
Número de páginas: 184
Acabamento: Brochura
Classificação EDS: 100 de 100 pontos
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Vale do Cariri, início da década de 1970. Um caminhão, apelidado carinhosamente de Big Jato, é destinado a esvaziar as fossas das casas sem encanamento do Crato. No parachoque, a frase “DIRIGIDO POR MIM, GUIADO POR DEUS”. O garoto ao lado do motorista pensa: “Não sou um nem o outro”.
O caminhão faz parte da vida do garoto. Com seu pai, percorre as ruas da cidade lidando com o dejeto alheio, enquanto acompanha um mundo em transformação. Assim como sua própria infância, algo ali parece estar chegando ao fim, e as mudanças não passam despercebidas aos dois.
Em Big Jato, o escritor e cronista Xico Sá cria, a partir de suas memórias, um retrato afetivo de uma juventude passada no Cariri. Estão lá os primeiros encontros com o amor e o rock. As paisagens e as pessoas que ele encontrou. As mudanças nas relações familiares. Um delicado mosaico das descobertas do garoto que enfrenta todas as dificuldades da entrada na vida adulta.
Leitores familiarizados com as crônicas e participações televisivas do autor podem se deparar aqui com o mesmo olhar lírico e frequentemente hilariante que Xico costuma dedicar aos relacionamentos e ao futebol. Mas irão se surpreender com a ficção do autor.
O que emerge de Big Jato é uma prosa madura, uma novela capaz de encapsular um tempo e um espaço onde humor e drama ocorrem nos pequenos momentos do dia a dia. E na boleia do Big Jato, com os Beatles tocando no rádio.

Minhas impressões

Se você nasceu no nordeste ou é descendente de nordestino a obra é, antes de mais nada, um resgate das histórias que viu ou ouviu e, para os que não estão no cenário da realidade contada, é um mergulho curioso e poético na adolescência de Xico Sá lá nos confins do mundo, o Cariri cearense em idos dos anos setenta. O autor pondera que a obra tem muito de biográfica e tudo aconteceu “mais ou menos” como é contado.

Aniversário 6 anos!

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E hoje (na verdade ontem) completamos mais um ano de vida! Mesmo cheio de trabalho, viagens (a trabalho) e muita correria, nós conseguimos manter um bom ritmo de leitura e resenhas.

O que comento sempre com a Dagmar, minha colega e autora de resenhas excepcionais, é que o Estante dos Sonhos é um local para liberarmos nossas ideias e expressar como aquele livro resenhado importou para nós. Sempre que convido alguém pra resenhar, expresso que aqui não existe obrigação e sim o prazer de escrever =)

Portanto, para celebrar como todo ano, sortearemos livros!!! São 6 para ser exato =) E nada mais justo do que sortearmos os livro dos autores e editoras que mais falamos esse ano. Serão:

Resenha: A guerra não tem rosto de mulher – Svetlana Aleksiévitch

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/Editora Companhia das Letras/Resenhas/

Editora: Companhia das Letras
Autor: Svetlana Aleksiévitch
ISBN: 9788535927436
Edição: 1
Número de páginas: 392
Acabamento: Brochura
Classificação EDS: 100 de 100 pontos
Compre: Amazon

A história das guerras costuma ser contada sob o ponto de vista masculino: soldados e generais, algozes e libertadores. Trata-se, porém, de um equívoco e de uma injustiça. Se em muitos conflitos as mulheres ficaram na retaguarda, em outros estiveram na linha de frente.
É esse capítulo de bravura feminina que Svetlana Aleksiévitch reconstrói neste livro absolutamente apaixonante e forte. Quase um milhão de mulheres lutaram no Exército Vermelho durante a Segunda Guerra Mundial, mas a sua história nunca foi contada. Svetlana Aleksiévitch deixa que as vozes dessas mulheres ressoem de forma angustiante e arrebatadora, em memórias que evocam frio, fome, violência sexual e a sombra onipresente da morte.

Minhas impressões

Realizar a leitura de “A Guerra não tem nome de Mulher” é algo muito impactante e perturbador! Demorei para terminar o processo, tamanhas foram as inúmeras pausas para o choro, a raiva, a indignação e a reflexão sobre “como elas conseguiram”? Como qualquer um consegue?

Svetlana Aleksiévitch, ganhadora do prêmio Nobel de literatura em 2015, através de um misto de literatura e jornalismo desvela e apresenta memórias de um tempo de guerra, um período que precisa ser trazido à tona para que não seja repetido. Sempre insisto na questão da espiral da História, mas precisamos debater, colocar sobre a mesa e conversar sem medo para que possamos aprender a superar, reinventar.

Resenha: Desonra – J. M. Coetzee

/Editora Companhia das Letras/Resenhas/

Editora: Companhia das Letras
Autor: J. M. Coetzee
ISBN: 9788535900804
Edição: 1
Número de páginas: 248
Acabamento: Brochura
Classificação EDS: 100 de 100 pontos
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Sucesso de público e crítica – foi publicado em mais de vinte países e ganhou o Booker Prize, o mais importante prêmio literário da Inglaterra -, Desonra é considerado o melhor romance de J. M. Coetzee. O livro conta a história de David Lurie, um homem que cai em desgraça. Lurie é um professor de literatura que não sabe como conciliar sua formação humanista, seu desejo amoroso e as normas politicamente corretas da universidade onde dá aula. Mesmo sabendo do perigo, ele tem um caso com uma aluna. Acusado de abuso, é expulso da universidade e viaja para passar uns dias na propriedade rural da filha, Lucy.
No campo, esse homem atormentado toma contato com a brutalidade e o ressentimento da África do Sul pós-apartheid. Com personagens vivos, com um ritmo narrativo que magnetiza o leitor, Desonra investiga as relações entre as classes, os sexos, as raças, tratando dos choques entre um passado de exploração e um presente de acerto de contas, entre uma cultura humanista e uma situação social explosiva.

Minhas impressões

Ler Desonra é garantir por um bom tempo aquele sem-número de reflexões sobre processo histórico, questões que permeiam envelhecimento, sentido da vida, mediocridade e por aí vai dependendo apenas do perfil e momento vivido pelo leitor. A única certeza é a de que é uma história em que ficamos presos do início ao fim e simplesmente não conseguimos parar.

Resenha: Trinta e Poucos, Crônicas – Antônio Prata

/Editora Companhia das Letras/Resenhas/

Editora: Companhia das Letras
Autor: Antônio Prata
ISBN: 9788535927689
Edição: 1
Número de páginas: 232
Acabamento: Brochura
Classificação EDS: 100 de 100 pontos
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Mais que qualquer escritor em atividade, Antonio Prata é cultor do gênero -consagrado por gigantes do porte de Rubem Braga, Paulo Mendes Campos, Fernando Sabino e Nelson Rodrigues – que fincou raízes por aqui: a crônica.
Pode ser um par de meias, uma semente de mexerica, uma noite maldormida, a compra de um par de óculos, a tentativa de fazer exercícios abdominais. Quanto mais trivial o ponto de partida, mais cheio de sabor é o texto, mais surpreendente é a capacidade de extrair sentido e lirismo da aparente banalidade.

Minhas impressões

O que mais me encanta ao ler uma crônica é aquela sensação de proximidade com a história contada e a falsa ilusão de que qualquer um pode escrever, bastando apenas pegar a caneta ou algum outro suporte e deixar fluir a memória contando a cena engraçada que presenciamos dentro do transporte coletivo ou algum questionamento existencial.

Resenha: Sempre em movimento – Oliver Sacks

/Editora Companhia das Letras/Resenhas/

Editora: Companhia das Letras
Autor: Oliver Sacks
ISBN: 9788535926132
Edição: 1
Número de páginas: 416
Acabamento: Brochura
Classificação EDS: 100 de 100 pontos
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Quando Oliver Sacks tinha doze anos, um professor bastante sagaz escreveu numa avaliação: “Sacks vai longe, se não for longe demais”. Hoje está absolutamente claro que Sacks jamais parou de ir. Desde as primeiras páginas, onde ele relata sua paixão de juventude pelas motos e pela velocidade, Sempre em movimento parece estar carregado dessa energia. Conforme fala de sua experiência como jovem neurologista no início dos anos 1960 – primeiro na Califórnia, onde lutou contra o vício em drogas, e depois em Nova York, onde descobriu uma doença esquecida nos fundos de um hospital —, vemos como sua relação com os pacientes veio a definir sua vida. Com a honestidade e humor que lhe são característicos, Sacks nos mostra como a mesma energia que motiva suas paixões “físicas” – levantamento de peso e natação – alimenta suas paixões cerebrais. Sacks escreve sobre seus casos de amor, tanto os românticos quanto os intelectuais, sobre a culpa de abandonar a família para vir aos Estados Unidos, sua ligação com o irmão esquizofrênico e sobre os escritores e cientistas – Thom Gunn, A. R. Luria, W. H. Auden, Gerald M. Edelman, Francis Crick – que o influenciaram. Sempre em movimento é a história de um pensador brilhante e nada convencional, o homem que iluminou as muitas formas com que o cérebro nos faz humanos.

Minhas impressões

Muitos e muitos anos atrás assisti “Tempo de Despertar”, um filme clássico simplesmente fascinante e acredito que tenha sido este o momento em que o nome “Oliver Sacks” ficou gravado como interessante para mim, pois não tenho nenhuma outra referência de leitura para afirmar o ponto em que o autor viria à tona. Seu falecimento em agosto de 2015 fez com que buscasse algo para legitimar o sentimento positivo sobre alguém que tocou verdadeiramente as pessoas e suas dores até os últimos instantes de vida.

Resenha: Cidade em Chamas – Garth Risk Hallberg

/Editora Companhia das Letras/Resenhas/

Editora: Companhia das Letras
Autor: Garth Risk Hallberg
ISBN: 9788535927047
Edição: 1
Número de páginas: 1048
Acabamento: Brochura
Classificação EDS: 100 de 100 pontos
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Nova York, 1976. O sonho hippie acabou, e dos escombros surge uma nova cultura urbana. Saem as mensagens de paz e amor e as camisetas tingidas, entram as guitarras desafinadas, os acordes raivosos e os coturnos caindo aos pedaços. Por toda a cidade brotam galerias de arte e casas de show esfumaçadas. É nesse cenário que Garth Risk Hallberg situa esta obra colossal, aclamada pela crítica como uma das grandes estreias literárias de nosso tempo.
Regan e William são irmãos e herdeiros de uma grande fortuna. Ela, uma legítima Hamilton-Sweeney e eternamente preocupada com o futuro da família, vê seu casamento desmoronar em meio às infidelidades do marido. Ele, a ovelha negra, fundador de uma mitológica banda punk, artista plástico recluso e figura lendária das artes nova-iorquinas. Ao redor dos dois gira uma constelação de tipos e acasos. A jovem fotógrafa que descobre um influente movimento musical pelas ruas da cidade. O jovem professor negro e gay que chega do interior e se apaixona pelo misterioso artista. O grupo de ativistas que pode ou não estar levando longe demais o sonho de derrubar o establishment. O garoto careta e asmático que se apaixona pela punk indomável. O repórter que sonha ser o novo nome do jornalismo literário americano. E, em meio a tudo isso, um crime que vai cruzar suas vidas de forma imprevisível e irremediável.
Combinando o ritmo de um thriller ao escopo dos grandes épicos da literatura, Garth Risk Hallberg constrói um meticuloso retrato de uma metrópole em transformação. Dos altos salões do poder às ruelas do subúrbio, ele captura a explosão social e artística que definiu uma década e transformou o mundo para sempre. Cidade em chamas é um romance inesquecível sobre amor, traição e perdão, sobre arte e punk rock. Sobre pessoas que precisam umas das outras para sobreviver. E sobre o que faz a vida valer a pena.

Minhas impressões

O primeiro lugar que ouvi falar sobre este livro foi no Risca Faca, vou mostrar o link somente no final da resenha, pois se vocês lerem a resenha deles, vão acabar achando a minha horrível rs (quando eu crescer quero escrever como eles =] )

Resenha: Caminhos Cruzados – Erico Verissimo

/Editora Companhia das Letras/Resenhas/

Editora: Companhia das Letras
Autor: Erico Verissimo
ISBN: 9788535926712
Edição: 1
Número de páginas: 368
Acabamento: Brochura
Classificação EDS: 100 de 100 pontos
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Publicado em 1935, Caminhos cruzados é um romance urbano e de aguda observação social. Tendo como cenário uma Porto Alegre onde já se confrontavam modernização e miséria, afluência e desencanto, o texto de Erico Verissimo chocou os leitores de sua época pela exposição realista do descompasso brasileiro entre as diversas camadas sociais — e ainda hoje reverbera graças à abordagem narrativa adotada pelo autor. Influenciado pela técnica de intrigas entrelaçadas e pela ausência de personagem principal da ficção e sem narrar acontecimentos de vulto, o autor expõe o nervo da fragilidade humana num painel vivo e eletrizante de um tempo e de um país em transformação.

Minhas impressões

Tenho um profundo fascínio pelo escritor Erico Verissimo, nas livrarias flerto há anos com a série “O Tempo e o Vento” e venho adiando sua leitura como quem adia, sem motivo aparente, aquela viagem dos sonhos. O encantamento tem como histórico a experiência que tive com “Olhai os Lírios do Campo” que está entre os melhores e mais tristes de minha memória leitora.

Enquanto não encaro “a viagem” optei por ler Caminhos Cruzados que é um livro em que precisamos de atenção, pois como o nome já diz, teremos o entrecruzamento de histórias de vida em que os mais diversos sentimentos serão mostrados como que em uma novela.

Resenha: A balada de Adam Henry – Ian Mcewan

/Editora Companhia das Letras/Resenhas/

Editora: Companhia das Letras
Autor: Ian Mcewan
ISBN: 9788535925135
Edição: 1
Número de páginas: 167
Acabamento: Brochura
Classificação EDS: 100 de 100 pontos
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Poucos autores de língua inglesa são mais importantes na atualidade do que Ian McEwan. Em quarenta anos de carreira, ele compôs marcos da literatura contemporânea, como Amor sem fim (1997), Amsterdam (1998) e Reparação (2001). Seus livros são conhecidos pela precisão da prosa, pela atmosfera de suspense e estranhamento e também pelas viradas surpreendentes da trama, que puxam o tapete do leitor ao final do livro.
Nos últimos anos, o traço decisivo de sua literatura tem sido a defesa da racionalidade científica contra os fundamentalismos religiosos. É esse o embate que está no cerne de seu romance mais recente, A balada de Adam Henry. A personagem central é Fiona Maye, uma juíza do Tribunal Superior especialista em Direito da Família. Ela é conhecida pela “imparcialidade divina e inteligência diabólica”, na definição de um colega de magistratura. Mas seu sucesso profissional esconde fracassos na vida privada. Prestes a completar sessenta anos, ela ainda se arrepende de não ter tido filhos e vê seu casamento desmoronar.

Minhas impressões

Eu ia começar essa resenha falando que este livro é um romance de tirar o fôlego, mas não é. Na verdade não sei muito bem como falar de romances, pois não é muito meu tipo de leitura. O que posso dizer é que o livro é excelente.

Este é o segundo livro que leio da TAG (clube de livros que já citei numa resenha anterior). Como sempre, eu não leio as sinopses dos livros, pois podem acabar estragando a surpresa, e não foi diferente com este. Confesso que conhecia este autor somente de nome, pois ele é super prestigiado, mas não havia lido nada até o momento. Além do autor, o que me chamou a atenção foi o título da obra. Associei imediatamente o título à música clássica, peças de ópera, etc. Fiquei muito feliz em ver que era mais que isso.

Resenha: MAUS – A História de um Sobrevivente – Art Spiegelman

/Editora Companhia das Letras/Resenhas/

Editora: Companhia das Letras
Autor: Art Spiegelman
ASIN: 9788535906288
Edição: 1
Número de páginas: 296
Acabamento: Brochura
Classificação EDS: 100 de 100 pontos
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Maus (‘rato’, em alemão) é a história de Vladek Spiegelman, judeu polonês que sobreviveu ao campo de concentração de Auschwitz, narrada por ele próprio ao filho Art. O livro é considerado um clássico contemporâneo das histórias em quadrinhos. Foi publicado em duas partes, a primeira em 1986 e a segunda em 1991. No ano seguinte, o livro ganhou o prestigioso Prêmio Pulitzer de literatura.
A obra é um sucesso estrondoso de público e de crítica. Desde que foi lançada, tem sido objeto de estudos e análises de especialistas de diversas áreas – história, literatura, artes e psicologia. Em nova tradução, o livro é agora relançado com as duas partes reunidas num só volume.

Minhas impressões

Sim é um livro sobre o Holocausto, MAUS não é mais do mesmo em relação ao tema, é uma obra importante porque aborda sinceramente, pela via das questões familiares dos sobreviventes, as heranças de um período tão tenebroso. É crucial que ainda mais seja escrito, filmado, cantado e divulgado não importando a mídia ou a linguagem para que não esqueçamos e para que nunca mais se repita algo do tipo na História da Humanidade.

A obra é autobiográfica e vai permear a história do próprio autor, Art Spiegelman, enquanto filho de um pai, Vladek Spiegelman, judeu polonês que sobreviveu aos mais diferentes períodos e sofrimentos impostos pela Segunda Guerra Mundial.

História em Quadrinhos de primeira qualidade com traços característicos do artista, desenhado e escrito em preto e branco, a partir do relato do pai é uma opção interessante pela marcação das personagens: os nazistas são desenhados como gatos, os poloneses aparecem retratados como porcos, os norte americanos como cachorros e os judeus como ratos numa representação criativa dos papeis de cada um naquele momento e em uma inspiração na cadeia alimentar.

A história da Guerra é narrada de pai para filho que registra tudo em um gravador nas sessões de entrevista que, como não poderia deixa de ser, esbarram em feridas, cicatrizes, situações que beiram a comicidade tamanha tragédia embutida. Art entra em crise em vários momentos pensando na legitimidade do que está fazendo, na exposição de um pai que sobreviveu à sua maneira e que ficou com sequelas muito sérias que dificultaram sua vida no momento pós-guerra, marcas que magoam e chegam a envergonhar.

“(Suspiro) É muito esquisito tentar reconstruir uma realidade pior do que os meus sonhos mais pavorosos. E ainda por cima em Quadrinhos! Acho que estou dando um passo maior do que as pernas, talvez seja melhor deixar pra lá.

Da triste odisséia vivida é muito bonito o modo como o pai procurou desesperadamente garantir a sobrevivência da mulher, existe ali uma história de amor singular e que merece destaque. Anja era “cuidada” de alguma maneira e estimulada a ter alguma esperança ou a simplesmente continuar vivendo.

Meu pai a encontrou ao chegar do trabalho…os pulsos cortados e um vidro de comprimidos vazios.

Não foram poucos os momentos em que interrompi a leitura para desfazer o nó na garganta diante do registro do pai pelas atrocidades do período e das estratégias para continuar vivendo e do filho em compreender e exercitar a compaixão para conviver com alguém com tanto resquício de sofrimento.

O livro foi publicado em duas fases, a primeira em 1986 e a segunda em 1991. A edição lida foi a lançada pela Cia das Letras – Quadrinhos na CIA – já em volume único e com o selo de obra vencedora do prêmio Pulitzer.

Tanta coisa eu nunca vou conseguir entender nem visualizar. É que a realidade é complexa demais para ser contada em quadrinhos.

MAUS é um livro forte, ácido, triste, emocionante e que merece uma leitura generosa de suas páginas. É comovente sem ser piegas, trata de um tema pesado que, assim como a escravidão em terras brasileiras, gostaríamos de esquecer mas que temos a obrigação de revisitar, compartilhar e problematizar com as novas gerações.

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