Resenha: O Profeta – Khalil Gibran

/Editora Martin & Claret/Resenhas/

Editora: Martin Claret
Autor: Khalil Gibran
ISBN: 9788572329897
Edição: 1
Número de páginas: 140
Acabamento: Brochura
Classificação EDS: 100 de 100 pontos
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O profeta, obra-prima de Khalil Gibran, lançado em 1923, é um livro que inspira por meio de uma filosofia simples: viver bem com os nossos pensamentos, comportamentos e escolhas. Com sábias palavras, o autor propõe uma reflexão sobre a bondade e a beleza da vida. O profeta é uma obra acessível, para ler em todas as fases da vida, pois nos ensina sobre o amor, o trabalho, a alegria, a morte entre outros temas universais, por isso é um livro tão aclamado, com muitas edições e um grande número de leitores.

Minhas impressões

A primeira vez que ouvi falar de Khalil Gibran foi em uma aula da graduação, imersa na beleza singular do sugestivo nome de “as montanhas do Líbano” e seu cenário de neve e as cores das flores num lugar de cultura tão diferente da nossa.

O professor falou poeticamente da biografia de um cara muito à frente de seu tempo e de uma sensibilidade aguda e acima dos meros mortais que, como nós, ali estavam conhecendo sua vida e obra.
Desde então, sempre que posso ou “o livro me chama”, faço a leitura de “O Profeta”. Publicado em 1923 é daqueles em que podemos desfrutar inteiramente apenas em uma tarde preguiçosa, mas as reflexões provocadas nas poucas páginas nos acompanham por semanas a fio.

Trabalho – “Disseram-vos também que a vida são trevas; e em vossa fadiga repetis o que disseram os fatigados. Eu vos digo: a vida são mesmo trevas, salvo quando há ímpeto. E todo ímpeto é cego, salvo quando há conhecimento, e todo conhecimento é vão, salvo quando há trabalho. E todo trabalho é vazio, salvo quando há amor; ”

Al-Mustava é um profeta que viveu recluso por 12 anos no espaço privilegiado da cidade de Orphalese em que pode observar a vida e os costumes da população local. O sentimento para deixar a cidade é dúbio, as pessoas pedem para que permaneça, mas diante da apresentação da necessidade da partida, acaba fazendo um discurso em que vão sendo desveladas em tom de parábola várias observações sobre temas humanos, demasiado humanos.

Amor – “Quando o amo vos acenar, segui-o. Embora seus caminhos sejam árduos e íngremes. E quando suas asas vos envolverem, entregai-vos, embora a espada oculta em sua plumagem possa ferir-vos. E quando ele vos falar, acreditai nele. Embora sua voz possa despedaçar vossos sonhos como o vento do Norte devasta o jardim. ”

É uma história daquelas que nos acompanham ao longo da vida e das nossas diversas metamorfoses, pois aborda questões profundas e que aparecem em maior ou menor grau ao longo de nossa juventude e maturidade. Lemos sobre o amor, amizade, relacionamento e trabalho numa reflexão com doses socráticas.

Sou apenas um ser em busca dos silêncios, e que tesouro haverei encontrado em meus silêncios que seja digno de compartilhar?

Estamos tão imersos em nossas vidas, trabalhos, relacionamentos que perdemos o olhar distanciado da situação, do problema e é isso que Gibran faz emergir. Al-Mustafa tinha a observação do estrangeiro e com o tempo foi problematizando como a experiência da proximidade afasta a estranheza e aumenta a possibilidade da leitura através da via do afeto. A partida é um momento doloroso, mas colocada da forma que foi no livro aflora um desejo de maior entendimento e mudança.

Aquilo que parece mais frágil e confuso em vós é o mais forte e determinado.

Para cada releitura, conforme o momento da vida em que estamos, um ponto nos salta aos olhos. Trata-se daquelas obras que mudam a cada leitura, como cada um de nós. Recentemente a história ganhou uma versão animada para o cinema e é simplesmente linda tamanha a essência ali colocada. Se tiver oportunidade, permita-se.