Resenha: Cash, A autobiografia de Johnny Cash – Patrick Carr

/Editora Leya/Resenhas/

Editora: LeYa
Autor: Patrick Carr
ISBN: 9788580444476
Edição: 1
Número de páginas: 280
Acabamento: Brochura
Classificação EDS: 100 de 100 pontos
Compre: Amazon

Conheça Johnny Cash, a lenda da música country americana, em suas facetas. Nesta autobiografia, Johnny Cash diz sobre seus altos e baixos, as lutas e vitórias conquistadas a duras penas, e as pessoas que o influenciaram durante sua trajetória.
Cash desfaz mitos e descreve sua história. Das alegrias da sua infância em Dyess, no Arkansas, ao estrelato em Nashville, no Tennessee. Da emoção de se apresentar com Elvis, a suas batalhas contra com o vício em drogas e álcool e a devoção de sua esposa, June. Nesta obra também estão presentes os amigos de uma vida inteira, como Willie Nelson, Roy Orbison, Bob Dylan, e Kris Kristofferson.

Minhas impressões

Já há algum tempo conhecia o nome e algumas músicas do johnny Cash, mas nunca havia parado para prestar atenção. O termo country não me chamava muito atenção e eu deixava passar.

Depois de aprender um pouco mais sobre o country (graças ao The Voice e o Blake Shelton) comecei a perceber mais o Cash e finalmente, quando ouvi a música Hurt no final do filme “A Colombiana” (Ah a Zöe Saldaña, escreveria outro post só pra falar dela).

Voltando do devaneio. Quando ouvi Hurt e depois novamente, entendendo a letra, eu pensei: “Uma pessoa que escreve uma letra dessas, tão profunda, não pode ser um artista qualquer”. Tudo bem que só descobri recentemente que a letra é originalmente do Trent Reznor, vocalista do Nine Inch Nails, mas ele próprio disse após a regravação do Cash que a música pertencia ao Johnny e realmente, após ler a biografia, a música não poderia pertencer a mais ninguém.

Enfim, estou fugindo muito do livro, mas me entendam.

Depois de ouvir Hurt, comecei a escutar outras músicas do Cash e a gostar cada dia mais. Um belo dia quis descobrir mais sobre ele e fui atrás de uma biografia. Que vida. Quantas experiências em uma única vida. Vou transcrever abaixo exatamente como ele inicia a obra:

Minha linhagem vem da rainha Ada, irmã de Malcolm IV, descendente do rei Duff, o primeiro rei da Escócia. As posses de Ada compreendiam toda a terra a leste do rio Miglo, no vale do Bran, o que agora é o condado de Fife. O castelo de Malcolm não existe há muito tempo, mas ainda se podem ver algumas pedras nas paredes da torre da igreja, no vilarejo de Strathmiglo. O lema no brasão de armas da minha família é ‘Tempos melhores virão’. Seu nome era Caesche; com a imigração nos séculos XVI e XVII, veio a ser escrito como é pronunciado: C-A-S-H.

Uma pessoa com um árvore genealógica dessas não fez sucesso por acaso. Certeza que as Nörms pegaram um fio de ouro e começaram a bordar a trama dele.

Nascido numa família muito pobre, Cash ou JR como é chamado pelos familiares, tem de ajudar muito em casa desde pequeno. Sua família plantava algodão e dependia disso para viver. Com uma infância tão dura e com algumas tragédias na família, não sobrava muito tempo para diversão.

Não percebi nenhum estopim para que Cash desenvolvesse a vontade de ser cantor. O que me lembro bem é que sua mãe sempre cantou músicas gospel e country. Também lembro que Cash era apaixonado por rádio e muito provavelmente isso o incentivou.

O tempo fabrica suas repentinas tempestades tropicais no horizonte, ou, do lado do continente, leva toda uma tarde construindo uma daquelas enormes imponentes fortalezas de nuvens. E então, quando a tarde inicia a sua longa transição para noite, o edifício no alto fica roxo-acinzentado e desaba sobre quem o contempla, transformando tudo em vento e água.

Mais velho e tendo voltado de uma guerra, Cash conta a história de alguns anjos em sua vida, como o primeiro patrão que teve e que sempre lhe emprestava dinheiro. O primeiro produtor pela Sun que escutou ele cantando e o acolheu.

Dentre tantos detalhes, esse me chamou atenção. O início da carreira do Cash foi na mesma época que a do Elvis Presley e de tantos outros nomes que formaram muitos dos estilos musicais atuais. Dá pra imaginar isso?

Cash até conta um pouco como era ser colega de gravadora do Elvis, como ele vivia rodeado de garotas. Cash comenta de muitos outros artistas que ele viu florescer. O cara já fazia sucesso quando os Beatles apareceram na cena musical.

Como ficamos sabendo depois, Jesse e eu escolhemos um mau lugar para queimar. As três montanhas consumidas pelo nosso incêndio eram parte de uma área de proteção de vida selvagem para, entre outras espécies, condores da Califórnia ameaçados de extinção. Uma contagem de 53 tinha sido feita antes do incêndio; depois dele, o número caiu para nove.

Cash faz questão sempre que lembra de algum nome, de exaltá-lo. isso mostra sua generosidade com outros artistas.

Exímio leitor (ele tinha uma biblioteca em casa!), sempre procurava aprender mais sobre a cultura nativo americana e a cultura de seu país. Sempre foi extremamente ligado à música e à família.

Assim como a maioria dos artistas que tem um sucesso astronômico, Cash teve seus maus momentos. Ele mesmo se recusa a descrever exatamente seu vício, pois já fizera essa descrição inúmeras vezes em entrevistas. O que ele comenta são as consequências disso em sua vida e carreira, assim como seu amor a Deus o fez voltar para o caminho correto e mantê-lo lá.

Ele não falou comigo – Ele nunca falou, e ficarei muito surpreso se o fizer -, mas acredito às vezes que Ele pôs sentimentos em meu coração e talvez até ideias em minha cabeça. Na caverna Nickjack tomei consciência de uma ideia muito clara e simples: eu não estava no comando do meu destino. Não estava no comando da minha própria morte. Morreria quando Deus quisesse, não quando eu quisesse. Não rezei quando decidi procurar a morte na caverna, mas isso não evitou que Deus interviesse.

E claro, ele conta sobre seus muitos discos e shows. uma coisa eu posso dar spoiler: ele nunca ficou preso, como muitos acham até hoje.

Enfim. Que livro. Não espere uma biografia organizada cronologicamente. Cash conta sua história conforme vai lembrando e isso torna a obra quase como uma conversa pessoal. Recomendo muito a leitura, mesmo que você não goste muito de country. Eu mesmo nem sou tão fã assim, mas recomendo, pois ele foi uma parte importante da música. Não só lá na terra do Señor Trump.

Eai já leu este livro? Sabe alguma outra curiosidade do Johnny Cash? Comente.